Ora, já perceberam que gosto de discutir. Se meter porrada, melhor ainda. Canso-me menos e exponho muito mais rapidamente o meu ponto de vista. Discutir, na blogoesfera, diz-se "esgrimir argumentos". Bem, tendo eu uns pulsos do tamanho do tronco do eucalipto de Moure, posso dizer que normalmente também não me saio mal! Se bem que, do outro lado, estão por regra uns urbanos de pulsos fininhos e delicados, o que torna a minha tarefa demasiadamente fácil! Como se diz, nem dá pica! É tipo Federer, ou Tyson antes daquele cérebro ficar do tamanho de uma ervilha que é, curiosamente, o tamanho do órgão reprodutor do novo postador cá no blogue: o "abre o dedo mindinho a agarra neste grande pedaço de carne que eu aqui tenho"! No fundo, a vida é uma grande circunferência onde tudo está umbilicalmente relacionado. Contudo, hoje, não foi da poesia de Herberto Helder que vos vim aqui falar, mas antes do desemprego e de umas cenas maradas que li por aí...
Este mal, o desemprego, pelo que leio em alguns santuários da nossa blogoesfera bracarense, só se deve aplicar a alguns; aos parasitários boémios com falta de aplicação na labuta diária do conhecimento adquirido à custa do emparelhamento de tijolo nos miolos, à ralé sub-18 valores no acesso ao ensino universitário. Sim, devo também referir que o grosso de tão prestigiado magote - os supra-18 valores - terá cursado nos distintos colégios do "paga notas" (não confundir com o "caga notas", esse grande... sei lá, lá que o gajo é grande, é!) e que, talvez por isso, tem alguma dificuldade em perceber que turgidez cerebral e sapiência não são a mesma coisa. Sim, porque segundo o que leio nas mesmas homilias, não há ninguém que obtida essa média não escolha o único curso sem desempregados do país - e, não, não me refiro à prostituição, até porque, pelo que sei, e apesar de a universidade ser uma boa escola da foda - pelos menos, para mim foi -, ainda não há cursos universitários versados sobre tão prezada actividade. Já aqui o disse: o que seria de nós sem a classe médica!!
No fundo, já sabemos com isto funciona: somos muito imparciais e abnegados no trabalho em prol da sociedade até nos pisarem os calos! Aí, caralho, é vê-los de unhas de fora prontos a esmagar o mercado e a concorrência... É sempre a puta da mesma ladainha, os rasgões de clarividência secular podem sempre enganar o parolo à custa de meia-dúzia de floreados e estudos científicos de encomenda!! Sussuram-nos, baixinho e pacientes como se nos quisessem embalar por uma onírica litania, os conceitos de clusters e subprimes e mais o caralho que os foda, quando no fundo os vemos a berrar exasperados que apenas querem o cuzinho alapado no melhor cadeirão que encontrarem!
Bruno, até te digo mais. Este é um país de CONEIROS! Egoístas de merda, com egos insuflados que rebentam ao primeiro arranhão! Corporativistas são os comunistas e os sindicalista, estes novos tecnocratas da democracia são arautos bafejados por Zeus. Na verdade, eles são apenas cidadãos preocupados com o futuro do país e com o bem-comum. Iluminados por um clarão que mais ninguém sente, mas isso não interessa nada! Eles vêem esse clarão e a nós, indigentes da precária intelectualidade, só nos resta anuir aos ditames dos escolhidos. Qual Júlio César a atravessar o rio Rubicão.
Sabes, chego à conclusão que Portugal é um país sem caminho - e obviamente sem soluções - porque desiste de si ao menor escolho. Gratifica-se no dom de identificar o erro mas não se atreve a corrigi-lo, porque esse mesmo erro é sempre uma perspectiva tendo em conta os nossos ensejos! Deste modo, andamos sempre nisto: perante o peido, não se evita o cheiro, afirma-se antes uma urgente e radical mudança de cu. E, porque Portugal não possui massa crítica hirta e, como direi, bem intencionada que combata estes arautos - que por estas bandas parecem reproduzir-se mais facilmente que Gremlins sob um dilúvio - nem que seja com meia-dúzia de piadolas, é que por cá tudo parece ser decepado mesmo antes de sequer ter começado a fundar-se.
Portugal é, já dizia Eça aka o gajo do livro gordo sobre os irmãos que se comiam, um país de escriturários de repartição pública, com aptidões intelectuais que oscilam entre a consumpção hemoptóica e a boçalidade avermelhada e luzente dos anafados abençoados, apenas, pelo sumo de Baco. Por mais imaculada e aprumada que esteja a bata e por melhor pendant que o estetoscópio faça com os sapatos! Alea jacta est!