Eu creio que tendo a ser uma pessoa moderada (ahahahahahahahah!). Na verdade, sou mesmo uma pessoa moderada. Na mentira, sou obviamente, e por questões de lógica semântica, mentiroso. Podendo ser contudo considerado como um mentiroso moderado nas suas mentiras. Amanhã (amenhê, para os nossos leitores algarvios), vai discutir-se na Assembleia da República um assunto que não deveria ter discussão. Melhor, amanhã (tomorrow, para os nossos leitores algarvios) vai ser apresentada uma proposta que visa conferir a um conjunto de cidadãos os mesmos direitos que assistem, desde há muito, todos os outros. Dito assim, um leigo (ou um estrangeiro, ou uma criança acabada de nascer mas que já fosse capaz de ler e escrever, coisa que meus amigos vai começar a acontecer com enorme cadência, já que o Zé vai preparar o primeiro computador no mundo para fetos e embriões) diria que há neste momento cidadãos de primeira e cidadãos de segunda. Os chamados cidadões. Já se sabe que a proposta vai ser chumbada. Não sei, mas dito assim até parece que subitamente regressámos uns anos até ao tempo do senhor da cadeira, ou que por voltas mal explicadas Portugal passou a localizar-se no Irão, na China ou em qualquer outra democracia pós-moderna... Bom, as minhas opiniões valem o que valem, sendo que para mim valem quase tudo e para vós quase nada, o que é em medida justo, uma vez que também me marimbo para as vossas opiniões. Tal como as opiniões dos deputados do PS. Valem zero. Sinceramente, pretendo casar (no sentido apostólico da coisa) com a minha eloquente e excelsa namorada tanto quanto levar com míssil Scud (ou um terra-ar) em cheio nos dentes. Claro que depois sou aconselhado que devemos sempre "oficializar" o sentimento (deus, pai de todas as coisas, explicas-me em toda a tua bondade e misericórdia este paradoxo?) na medida em que temos que salvaguardar a relação perante um qualquer percalço. Ok, o Estado é burocrático e burrinho burrinho que dói e precisa de ter os sentimentos e afectos todos metidos num papel devidamente assinado (conforme consta no B.I.) para que eu perante vós possa dizer que amo esta ou aquela pessoa. E que se essa pessoa que eu amo precisar de alguém, serei primeiramente eu a socorrê-la. Mas para que tal aconteça eu tenho de ter um papel a oficializar esse interesse e essa partilha. Bom, mas isto é um aparte. As coisas são como são, já diz qualquer analfabeto. Volte-se ao casamento. Com todos os seus defeitos, enigmas, paradoxos e coisas que tal, é um direito que nos assiste. Ouvi, mesmo, que é um direito fundamental. Portanto, é um direito que a mim, cidadão e contribuinte português, me assiste. Ao contrário de outros cidadãos e contribuintes portugueses. E cidadãs, claro. Que neste caso são portuguesas. Ou, pelo menos, aparentam ser. É, diz que sim!