donec eris felix
Para além da excelente música, os Arcade Fire nunca descuram as letras de intervenção. Uma das melhores bandas de música alternativa... digo eu.
Acho tão natural que não se pense
Que me ponho a rir às vezes, sozinho,
Não sei bem de quê, mas é de qualquer cousa
Que tem que ver com haver gente que pensa ...
Que pensará o meu muro da minha sombra?
Pergunto-me às vezes isto até dar por mim
A perguntar-me cousas. . .
E então desagrado-me, e incomodo-me
Como se desse por mim com um pé dormente. . .
Que pensará isto de aquilo?
Nada pensa nada.
Terá a terra consciência das pedras e plantas que tem?
Se ela a tiver, que a tenha...
Que me importa isso a mim?
Se eu pensasse nessas cousas,
Deixaria de ver as árvores e as plantas
E deixava de ver a Terra,
Para ver só os meus pensamentos ...
Entristecia e ficava às escuras.
E assim, sem pensar tenho a Terra e o Céu.
Alberto Caeiro
Estive a ver os resultados das eleições para a Assembleia Constituinte de 1975. Os votos expressos em Braga traduzem uma realidade interessante, senão vejamos:
PPD: 19119
PS: 18144
CDS: 10498
MDP: 2636
PCP: 2635
FSP: 479
Uma realidade muito mais próxima do que Braga verdadeiramente é (de direita) do que aquela que se vai achando em algumas eleições. Não o digo por rancor, mas por corresponder à sensibilidade de quem contacta diariamente com muita gente, inclusive assumidos "socialistas" que, quando confrontados com duas ou três perguntas fundamentais, perdem a máscara e mostram o que verdadeiramente são. Os temores de Abril soçobram nos subconscientes e o "bicho papão" ainda assusta muito culto e insigne cidadão.
(Fernando Lima)
