Depois de assobiado por 30.000 pessoas no Estádio da Luz na apresentação das sete novas maravilhas, vaiado nas comemorações do 10 de Junho e insultado um pouco pelo País fora, José Socrates foi ontem apupado pelos membros da Esquerda Unitária (com excepção dos eurodeputados nacionais do BE e PCP), que exigiam a consulta referendária como forma de ratificação do Tratado que hoje se assina.
O nosso Primeiro já comentou dizendo: "Onde quer que vá gosto de ser sempre recebido da mesma forma, com estes gestos. Sei que despoleto nas pessoas a histeria colectiva. É assim que eu gosto de estar na política, de forma coerente. Aliás também gosto de me pautar pela coerência na governação, cumprindo tudo o que prometi aos portugueses quando me candidatei a P.M.. Todos os cidadãos europeus podem esperar o mesmo tratamento que os portugueses (esses felizardos) receberam"
Quando questionado sobre se irá então cumprir mais uma das suas promessas eleitorais, levando a ractificação do Tratado a Referendo em Portugal, Socrates abandonou a sala alegando que estava atrasado para a sua corridinha matinal.

"O presidente em exercício da UE, José Sócrates, voltou hoje a congratular-se com o acordo dos 27 sobre o novo Tratado europeu e considerou que a "Europa está agora preparada" para responder aos desafios da globalização." - via lusa
A "Europa" parece estar radiante com a aprovação do novo tratado. O que mais me choca, sendo eu um europeísta convicto, é ver a desfaçatez, a falta de vergonha com que os líderes europeus e, sobretudo, Sócrates ignoram que há vida para além dos corredores do poder.
O óbvio esquecimento de mais uma promessa eleitoral nem lhe passa pela cabeça, nem lhe ocorre que houve gente que o ouviu nessa campanha, que está gravada a jura. Para ele nada mais é (foi) do que um fait divers. Não estranha vindo de quem tão pouca consideração demonstra pela democracia participativa.
Esqueceu-se, com certeza, de nós. O Tratado pode passar, mas nunca sem o nosso assentimento.