Falando de Rem Koolhaas, não podia faltar a obra controversa da Casa da Música no Porto. Concebida para marcar o ano em que a cidade do Porto foi Capital Europeia da Cultura (2001), a Casa da Musica cria um marco imponente na Rotunda da Boa Vista. Odiada por muitos, amada por outros…
Rem Koolhaas projectou de maneira a que a envolvente funcionasse como parte estrutural, construída em betão armado com paredes de 40cm inclinadas em vários ângulos. Estas paredes exteriores actuam em conjunto como um bloco só, como peça fundamental na estrutura. O peso central desta estrutura apoia-se em duas grandes paredes de 1m de espessura de cada lado do auditório principal, que sobem desde as fundações até à cobertura. Quase todas as soluções de acabamentos foram reinventadas especificamente para este edifício. A acústica do auditório principal é considerada a segunda melhor de todo o mundo, e não é por acaso, já que todos os materiais de revestimento foram cuidadosamente escolhidos, assim como a geometria dos volumes da sala, os materiais da concha acústica e as cortinas absorventes. Para obter este resultado acústico optaram pela exclusão do fosso de orquestra pois iria reduzir a sua performance.
Em 2007 foi atribuído à Casa da Música o prémio do Instituto Real dos Arquitectos Britânicos (RIBA), com o júri a classificar o edifício de "intrigante, inquietante e dinâmico".
Nicolai Ouroussoff, crítico de arquitectura do New York Times, classificou-o como “o projecto mais atraente que o arquitecto Rem Koolhaas já alguma vez construiu” e como “um edifício cujo ardor intelectual está combinado com a sua beleza sensual”.
Casa da Música - Porto
Rem Koolhaas
Remment Lucas Koolhaas nasceu na Holanda, em Roterdão, a 17 de Novembro de 1944. Arquitecto teórico da arquitectura Holandesa, Koolhas é neste momento professor de Arquitectura e Desenho Urbano na Universidade Harvard.
Koolhaas, em 1968 começou a estudar arquitectura na Architectural Association School of Architecture, em Londres, seguindo depois os seus estudos em 1972 na Cornell University em New York.
A sua marca começou a chamar a atenção do público e da crítica a partir de 1975, quando juntamente com os arquitectos Madelon Vriesendorp (sua esposa), Elia Zenghelis e Zoe Zenghelis fundaram em Londres, o OMA - Office for Metropolitan Architecture. Mais tarde, juntaram-se a eles a arquitecta Zaha Hadid, uma das alunas de Koolhaas.
Um dos primeiros e principais trabalhos que iria marcar a diferença é a Biblioteca Central de Seattle. Oficialmente aberta ao público no dia 23 de Maio de 2004, a Biblioteca Central de Seattle está instalada num edifício de 11 pisos em pleno centro da cidade. Destaca-se pela modernidade e pelo arrojo da arquitectura. O seu aspecto exterior é realmente notável, pois, mais do que uma construção única, aquilo que de facto é, assemelha-se a um conjunto de plataformas flutuantes envoltas por uma enorme rede de aço e de vidro. As formas geométricas conseguidas oferecem um espectáculo singular ao reflectirem desenhos nos pavimentos das diversas salas. Em grande parte devido ao seu aspecto exterior, algo invulgar, a Biblioteca Central de Seattle integra, desde 2007, a lista das 150 construções preferidas do American Institute of Architects.
Hoje e como é já um costume meu, pois uma obra nunca chega para mostrar ou demonstrar a arquitectura de nenhum arquitecto, mostro-vos hoje mais uma obra de Santiago Pevsner Calatrava Vall dando assim continuidade ao tema iniciado na semana passada. Decidi então acrescentar à “praceta” a Cidade das Artes e das Ciências, situada em Valência, Espanha.O conjunto é composto por 5 impressionantes edifícios onde o vanguardismo e a criatividade se fundem numa grande beleza visual. Uma autêntica cidade futurista integrada num parque urbano de 350.000 m² no antigo leito do rio Turia. É um complexo arquitectónico, cultural e de entretenimento.
Cidade das Artes e das Ciências, 16 Abril de 1998
Hoje a minha escolha vai para um bom exemplo de arquitectura, aonde a “poética” melhor descreve este edifício.
Peter Zumthor
Peter Zumthor, nasce a 26 de Abril de 1943 e é um arquitecto Suíço. Considerado por muitos, um dos mais importantes arquitectos do mundo. Filho de um marceneiro, Zumthor aprendeu carpintaria desde muito cedo. Estudou em Nova Iorque na década de 1960. O arquitecto trabalhou em muitos projectos de restauração histórica, o que lhe deu uma maior compreensão sobre as qualidades e as diferenças dos materiais de construção rústica.
Com a prática desenvolvida, Zumthor foi capaz de incorporar nos seus projectos todo o conhecimento sobre os materiais. Os seus prédios exploram as qualidades, espaços e materiais.
Em 1998, Zumthor recebeu o Prémio de Arquitectura Carlsberg, leccionou no Instituto de Arquitectura no Sul da Califórnia em Los Angeles, na Universidade Técnica de Munique, entre outras. Zumthor acredita que a arquitectura deve ser vivida em primeira mão.
Zumthor gosta de jogar ténis, fumar bons charutos, margaritas e jazz.
Termas de Vals - Suíça



Reconheço que nem sempre as fotos reflectem a intensidade de um projecto, como o som, a temperatura, a humidade, a luz, a textura… deixo aqui este vídeo para que melhor possam sentir e compreender a sua complexidade.
Para esta semana decidi dar continuidade ao tema da semana passada, a carta de Atenas.
O grupo CIAM (Cimeira Internacional de Arquitectos Modernos), responsável pela elaboração do documento em enunciação, foi composto por arquitectos de renome que estiveram ligados ao Movimento moderno.
Um dos seus principais idealizadores foi o franco-suíço Le Corbusier. Arquitecto célebre, responsável por grandes obras que marcaram a história da arquitectura até aos nossos dias, algumas das quais passo a mostrar aqui na “Praceta do Fontanário”.
Pessoalmente considero um dos melhores arquitectos da história da arquitectura e que mais contribuiu para o seu desenvolvimento. Como tal, gostaria de partilhar algumas das suas obras e ideias convosco. Espero cativar a vossa atenção e interesse, bem como o vosso espírito crítico.
Le Corbusier
Charles-Éduard Jeanneret, 1887-1966 (nome verdadeiro) nasceu na cidade suíça francófona de Chaux-de-Fonds.
Corbusier foi o arquitecto que maior influência exerceu no desenvolvimento da arquitectura Moderna. Tem uma vastíssima obra, tanto teórica como prática.
O percurso nem sempre é coerente e, por vezes, sofre diversas inflexões. Corbusier é um homem de síntese fortemente interessado na tecnologia, principalmente no betão armado e na estandardização.
Tem uma atitude mental dialéctica nos seus jogos de luz e sombra, sólido e vazio, sempre com grande desejo de conciliar a tradição arquitectónica clássica com a tecnologia moderna.
Aqui vai um exemplo das suas obras.
Villa Savoir 1929-31

Antes de mais queria agradecer o convite que me foi feito pelo Bruno Machado para participar neste blogue. Esta nova “fonte” convidada, “Praceta do Fontanário” vai empenhar-se para que a Arte da Arquitectura seja aqui conhecida e discutida. Conto portanto, suscitar o interesse de todos com os temas abordados, fomentando a dupla vertente da informação e discussão.
É para mim um desafio arrojado e espero estar à altura de comandar esta nova expansão do blogue!
Como primeiro tema da “Praceta do Fontanário” e proclamando um dos objectivos do blogue, começo por expor a carta de Atenas abordada na minha apresentação feita pelo Bruno Machado.
CARTA DE ATENAS
A Carta de Atenas foi elaborada por um grupo internacional de arquitectos, depois de uma série de congressos nos quais se discutiu como o paradigma da arquitectura moderna poderia responder aos problemas causados pelo rápido crescimento das cidades, pela mecanização na produção e pelas mudanças nos meios de transporte.
No IV Congresso do CIAM (Cimeira Internacional de Arquitectos Modernos), este grupo de profissionais e visionários finalizou a Carta de Atenas, depois de ter analisado 33 cidades das mais diversas latitudes e climas no planeta.A cidade de Brasília, cujo plano piloto é da autoria do arquitecto e urbanista Lúcio Costa é considerada como a mais avançada experiência urbana no mundo que tenha aplicado integralmente todos os princípios da Carta de Atenas.

Quem não queria morar em Brasília…
A Carta de Atenas (1933) foi um documento emanado de um grupo de arquitectos, sobretudo europeus, que na década de 30 se reuniu várias vezes em congressos, tendo confrontado experiências, divulgaram princípios técnicos, sociais e artísticos comuns. A Carta, que trata da chamada Cidade Funcional, defende a separação das áreas residenciais, de lazer e de trabalho, com a finalidade de minorar os males decorrentes das chamadas cidades industriais, repletas de bairros operários, construídas mesmo junto às minas e das fábricas, caracterizadas pelas condições desumanas e carecidas dos requisitos mínimos de higiene e habitabilidade.
A Carta de Atenas foi indiscutivelmente um momento historicamente relevante.
Certamente também será relevante a colaboração de Nuno Vilaça no Fontes do Ídolo, que, todas as sextas-feiras, nos trará a Praceta do Fontanário. Este espaço estará ligado a arquitectura, trazendo-nos uma selecção de obras construídas de referência arquitectónica. Começa já amanhã.