"Tudo indica que o PS irá ter um candidato presidencial malgré-lui, porque não dispõe de nenhum outro credível e, mesmo assim, não é capaz de superar a mesquinhez das pequenas baronias e ódios domésticos. Não há consolo para tanto pequenez..."
Vicente Jorge Silva,
in SOL - 29-05-10
Título: O Fim da Linha*
Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento. O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa. Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil ("um louco") a necessitar de ("ir para o manicómio"). Fui descrito como "um profissional impreparado". Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal. Definiram-me como "um problema" que teria que ter "solução".
Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o. Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): "(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)". É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos. Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade.
Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados. Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser "um problema" que exige "solução". Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre. Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos "problemas" nos media como tinha em 2009. O "problema" Manuela Moura Guedes desapareceu. O problema José Eduardo Moniz foi "solucionado". O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser "um problema". Foi-se o "problema" que era o Director do Público. Agora, que o "problema" Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais "um problema que tem que ser solucionado". Eu. Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada. "
*Acho que conseguem descobrir a sua autoria.
Adenda: o jornalista não foi dispensado, dispensou-se.
"A candidatura de Alegre não inaugurou apenas a corrida presidencial de 2011. Inaugurou a luta pelo futuro do PS".
João Pereira Coutinho, Politólogo
in Correio da Manhã
Um pouco mais cedo do que inicialmente previsto, Manuel Alegre anunciou a sua "disponibilidade" para se candidatar a Presidente da República. A propósito deste anúncio, Vitalino Canas veio colocar o dedo na ferida ao referir que a candidatura de Manuel Alegre à Presidência da República “dividirá seriamente” o partido, preferindo nomes capazes de conquistar votos ao centro e à esquerda, como Ferro Rodrigues e António Guterres. A dúvida é mesmo essa: O PS de Sócrates vai apresentar o seu candidato?
Sondagem: PS continua à frente nas intenções de voto (SIC Online)
"Este é um Governo de aparatchiks e de directores de serviço que promete um programa de acordo com a vontade comum da nação: que nada de essencial mude".
Miguel Sousa Tavares, escritor
in Expresso
"A bandeira do PS não está no chão. Mais política e menos marketing. Mais socialistas e menos figurantes. Um pouco mais de esquerda".
Manuel Alegre, político
in Expresso
"O PSD exultou com um novo recuo socialista. Mas quando os vícios são os mesmos, convirá ter um pouco mais de cautela antes de cuspir para o ar".
Carlos Abreu Amorim, Professor Universitário
in Correio da Manhã