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Pedro Morgado

Comecei a minha residual colaboração neste Blog por convite de um amigo. Com prazer e dando asas a liberdade que a escrita me proporciona fui "postando aqui e acolá", coisa pouca e com pouca importância. Até porque o vou fazendo com outra regularidade noutros espaços e noutros fóruns. Jamais, apesar das minhas responsabilidades políticas, utilizei este Blog como arma de arremesso: um ou outro comentário sobre a actualidade política e pouco mais.
Este é um espaço democrático (como podia não o ser?) em que cada um expressa a sua opinião. Várias vezes me chamaram a atenção para textos teus em que fazias, e bem, uso da tua consciência cívica e fazias "oposição" à actual gestão camarária. Não me parece que fosse justo rotular o teu Blog como pertencente a qualquer "sector da oposição".

Quanto ao post do Bruno, deixa-me que te diga, que já enoja a promiscuidade entre o futebol e a política. E a promiscuidade é uma estrada com dois caminhos. Não sei é se de lá para cá, ou se de cá para lá... O SC Braga é bem maior que estas tricas, mas se dizer a verdade fizer perder votos, pois bem meu caro Pedro, eu não quero nunca ganhar eleições.

Os cães de guarda pavlovianos: o proémio da antiglosa.

Já disse uma vez. Não gosto de poleiros. Até porque para se estar num poleiro é preciso viver em cativeiro.

Hoje, estou por cá por causa disto. Estou certo que haverá quem preencha as suas raízes - sempre deficitárias de atenção - de gáudio por tão honrosa menção. Eu não. Não dou relevo aos que sofrem da carência da substância humana. Nem aos que precisam do sorriso de Reims ou do anjo de Chartres para se manifestarem. É a chamada memória rilkeana.

A primeira passou. Sempre me senti bem em ser identificado como uma mansarda. No fundo, e ignorando-o profundamente, o Pedro Morgado estava a elogiar-nos. As trapeiras da alma abertas sobre a rua, com sobrados motivos de linguagem cifrada, são-no por acidente ou funda necessidade. Como podem ver, até nem era nada comigo. O Bruno, que é mais bem formado do que eu, optou por ignorar, ao abrigo do mineralizante destino da palavra com que mentimos à vida - ou ela a nós.

Confesso-vos que não gosto particularmente de política. Aceitei participar neste blogue porque não me foi imposto usar qualquer vínculo, rótulo ou insígnia. Já votei em partidos, já votei em pessoas. Os anos calcinaram-me a esperança e toldaram-me de mágoa a pueril ingenuidade estudantil. Voto em branco em respeito às marcas da opressão de outros tempos que o meu avô ainda carrega nos seus braços cansados. Digo e escrevo o que quero. Considero-me um cidadão discreto nas suas actividades. A necessidade do conteúdo das nossas causas não se compadece com os esguichos de cidadania e de indignação que pululam por essa esfera dos blogues. O incentivo manifesto ou oculto nasce, no meu caso pelo menos, da presença alienante de realidades consubstanciais a um mundo bem determinado. Procuro como soberano instinto o lugar silencioso, secreto, mas luminoso e puro. Outros há, como o Pedro Morgado, que ignorados de si mesmos, por ventura, aproveitam as distracções das tumultuosas ruas para estarem sempre no local por onde o futuro espreita. Não possuo a capacidade de achar que sou o núcleo da face conscientemente destrutiva, em sentido radical, face niilista ou anarquizante, conforme os casos, precedida do intenso caudal da necessidade de colorir as sombras ou de reconstruir o mundo através do rosto que desejaríamos. É aqui que divergimos. As minhas intenções não são mais elásticas e vivas do que a minha consistência. Não sei se faço entender...

Não tenho interesse algum em conhecer os competentes mensageiros da futura reconciliação, anunciadores da transparência definitiva da história reconciliada com o seu tormento. Ou os espelhos hiperbólicos da distância entre essa vocação de transparência e o horizonte cego ou já em chamas que circunda a nossa mais quotidiana azafama. Prefiro os sábios. Aqueles que buscam a sabedoria por uma questão de objectivo. Não por uma questão de grau, cargo ou notoriedade como no caso da competência, da eficiência e do destaque mediático que efemeramente nos pode assaltar. Desconfio sempre dos yokozunas da moral e dos paladinos da verdade. Dos profetas das realidades e dos comportamentos ônticos. Todos nós somos também os ecos de atitudes impérvias, ou não Pedro?

Quanto ao Braga - o clube -, meu caro Pedro, sempre estive por dentro do mesmo. Quando o clube andava na lama, consecutivamente a lutar para não descer de divisão, eu estava lá; muito antes da caviar crew se apoderar do clube e de as manadas de delinquentes o terem renomeado de enorme. Por isso, vou continuar a mandar as bordoadas que bem entender. Eu sei que preferes baixar a cabeça e guardar as tuas forças para as usar em campo cerrado a denegrir, por exemplo, o Belenenses. Mas eu prefiro usar uma ascese de devoção e criticar os meus e deixar os outros entregues à sua boa-consciência. É uma máxima que deveríamos usar nas nossas vidas. Não devemos nunca ofuscar o brilho dos outros para disfarçar as nossas incompetências. O Braga vale o que vale. É um clube com poucos associados, sem infraestruturas próprias, sem património e com um currículo razoável- para o qual me orgulho de ter contribuído directamente. Não é por repetires até à exaustão que o SCB é o 4º maior clube português que o teu desejo se vai concretizar. Felizmente, não temos a capacidade para dominar os poderes da própria invenção do mundo. Lamento que toda a realidade do clube te passe tão manifestamente ao lado. Lamento que recubras como uma luva a anulação épica da realidade do SCB. Lamento que não vejas o seu conteúdo poroso, irrisório que não deveria ser confundido com aquilo que tens como o teu objecto de desejo imortal: ver um SCB realmente grande. Acredita que acho que podemos e devemos ter a consciência num nível superior ao da vivência. Mas este não é, de todo, o caso. Assim, aquela que poderia ser uma voz desperta e crítica, a tua, não passa de um ladrar pavloviano.

Por fim, não posso deixar de fazer uma analogia. O modo transfigurado e míope como defendes o SCB só pode ser comparado à concepção estalinista de sociedade. A leviandade e o sectarismo que revelas sempre que abordas qualquer questão relativa SCB, fazem-me crer que, alguns dos teus comentários relativos a outras matérias - muitas vezes respeitados e destacados pela sua seriedade insofismável, intrincada e centrípeta e pelo tom de revolta pela verdade singular -, não passam, então, da simples e mesquinha acção do folclore dos aventureiros tolos. Porque, no fundo, e alguns até nas escamas da superfície, quase todos os cristãos são vaidosos.

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