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Luiz Pacheco - Bendito maldito
By Bruno Miguel Machado
on segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
20:55
, in
João Pereira Coutinho
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Livro do Mês
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1 Comment
Morre Luiz Pacheco e o país, entre aplausos, dispara os clichés esperados: um escritor 'incómodo', 'maldito', 'provocador'. Estranha situação. Quem é 'incómodo', 'maldito' ou 'provocador' não parte sob aplausos. Verdade que, em Portugal, existe o hábito cínico de achar que a morte melhora sempre o carácter. Mas quando se é verdadeiramente 'incómodo', 'maldito' ou 'provocador', nem a morte faz milagres. Sobram duas explicações possíveis. Primeiro, os elogios dirigiram-se à obra, não ao homem. Ou, então, os elogios dirigiam-se ao homem porque o homem não era 'incómodo', 'maldito' ou 'provocador' coisa nenhuma. Pessoalmente, alinho pela sua segunda tese. Obra? Duvidoso que o país tenha lido Comunidade ou O Libertino Passeia por Braga, dois opúsculos com interesse pelo retrato de uma certa marginalidade existencial mas que dificilmente se constituem como 'obra'. Sobra a hipótese do 'provocador' Pacheco, na verdade, não ter provocado uma única alma. Um 'provocador', no sentido elevado do termo, não se limita a disparar insultos aleatórios sobre a fauna disponível. Porque ele sabe que, disparando sobre tudo, o mais provável é não acertar em nada. Um 'provocador' provoca porque propõe: uma visão alternativa do mundo que indigna ou inspira em partes iguais. Como na prosa de Eça, no teatro de Oscar Wilde, no jornalismo de Paulo Francis. Luiz Pacheco nada propunha que o distinguisse da orgia verborrágica que é própria da catilinária reles. Sem consciência, sem consequência. Não admira que, na hora da morte, o escritor 'maldito' tenha sido bendito pela pátria agradecida. Para um 'provocador', haverá pior certidão de óbito?
Expresso
Livro do Mês
Por motivos óbvios. Por fazer parte dessa montagem capaz de implantar o terror, ao transferir da memória para as palavras esse elo ténue entre a vida e a morte. Morreu um dos últimos escritores. Imagem absoluta do desapego da realidade.
O livro do mês (que é também o post 1000)
Daniel Faria foi tudo. Do único modo que se pode ser tudo. Bem ao jeito de Rimbaud. Muito rapidamente. No mês em que se entrega o "Prémio de Poesia Daniel Faria" a homenagem é ainda mais justa.
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Ontem inauguramos uma nova rubrica no Fontes do Ídolo: O Livro do Mês.
As sugestões estarão a cargo do ilustre Dr. Etcétera.
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