Mostrar mensagens com a etiqueta pronto vou de fds e o fernando pessoa que se ocupe do sábado. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta pronto vou de fds e o fernando pessoa que se ocupe do sábado. Mostrar todas as mensagens

ATENÇÃO: vou citar, num estilo elogioso, o avenida central... não, preocupados amigos e solicitas amigas, não estou doente

A este propósito.

Eu que sou indivíduo de massas (carbonara à cabeça, não é massas de mamar, pá! é massas de gente acumulada à bruta como pontos da fnac, elevadores de shopping em véspera da celebração do nascimento do baby jesus... aaaaahhhhh, ok, ok, ok, não tinha percelambido, pá!) sucumbo às manadas. Na praxe foi mais ou menos isso. Toda gente ia, os meus amigos iam, a gaja que me queria comer ia, eu também fui. Que isto de ter gajas atrás de nós (de mim, vá...) não é todos os dias! Fui (fomos, que aquilo eram autênticas orgias) praxados valentemente e, como não podia deixar de ser, mediocremente. A imaginação nas praxes é monumental! Se aquilo fosse um quadro, assemelhar-se-ia a um gatafunho daqueles que se vendem nas exposições da APPCDM. Um gajo vai, bate palmas e compra que se fode. Talvez por isso (talvez, talvez, talvez, mas tenho quase a puta da certezinha absoluta) eu não tenha praxado. É que, digamos, há coisas mais úteis. Digo eu, claro. Que sou indivíduo caseiro e de gostos estranhos. Não que andar com 40 ou 50 caloiros de gatas atrás nós pela cidade não seja práctica de singular proeminência, passatempo, aliás, que deveria ser considerado pelas autoridades competentes uma actividade remunerada. "Ora bem, o senhor o que deseja? Venho cá abrir a minha actividade laboral. Muito bem, muito bem, meu jovem! Vai, portanto, encetar a sua vida laboral, certo? Vou, sim senhor! Preciso de saber qual é a actividade que vai exercer, para que possa colocar o código no campo respectivo! Vou ser praxador profissional!" Ora, percebe-se que chegada a minha vez, não praxei. Já tinhas dito isso, meu camelo! Pois já, peço desculpa! Aliás, o máximo que fiz foi enfiar o cabide pelo cu acima de um conjunto de indivíduos que a determinada altura da sua embriagada existência decidiram humilhar o meu irmão (e mais uns amigos) numa actividade extra-curricular. Foi lindo. Eu gostei, pelo menos. Bom, voltando ao assunto. Não deixa de ser curioso analisar, ainda que alavarmemente, também não sei fazer as coisas doutra maneira, pois não, piolhito?, que as praxes são apenas na sua intenção um retorno contínuo a divindades que não tendo poder ressuscitam todos os anos como arsenal decorativo. Acho que esta frase está do caralho, por isso vai a negrito. Até porque agora vou começar com o discurso mais sério, analítico e pungente que tão bem me identifica! Pois, pois...

Não é preciso ir muito longe, nem sequer ser muito expedito na fulminante e extravagente cultura literária ou filosófica, para saber que qualquer grande pensador se acerca, em feliz consciência, das mais diversas manifestações de paganismo. Ora em resignada motivação ou em desesperada existência todos os caminhos desaguam na larga praça que é a ausência de deus. Assim, em minúscula. Para irritar. E é contra isto que as praxes insistem em sobreviver. A persistência e a unidade destas experiências é o testemunho do tédio incurável deixado na alma humana pela perda de uma qualquer esperança absoluta, da perda do uso normal da sua consciência lúcida. Pode parecer excessivo usar esta insistência em referir um certo clima psicológico das praxes à sua coordenada absoluta, à relação que o praxador diz sustentar, contudo, correndo o risco de me enganar na caracterização, a praxe contenta-se com meras elocubrações acidentais, mesmo que possam em determinados pormenores ser inteligentes, ok, estou a ser benevolente, sem referir a intenção central: os praxadores são um molde vazio de uma ideia única de relação. Uma espécie de ultra-empiristas que se julgam mais perspicazes apenas porque não deixam perder um qualquer pseudo-próprio sentido da questão da praxe. Sentido esse, a meu ver, inexistente. Ou quanto muito, obscuro. E é nessa baça inquietação de quem praxa que ela, a praxe, se desenrola. Uma lenta e dorida conspurcação, um bacoco revivalismo doutros tempos, uma arquitectura voluntariamente acabada: a porta estreita de uma agonia pessoal e de um desespero insanável impostos sob a capa de uma tradição opressora. Tenho dito!

Powered by Blogger