60% dos eleitores norte-americanos admitem ter sido a crise o factor mais importante na decisão de voto.
Mas haverá um virar de página que origine uma ruptura total com a politica republicana de W.?
Não me parece. Os Estados Unidos não mais voltarão a ser "A" Potência Mundial. Penso que esta crise económico-financeira foi o inicio do fim do ciclo.
A escassez de recursos a nível mundial, o emergir de novas potências e o desabar da confiança cega na liberdade de mercado, um dos pilares da Economia americana, trará os mesmos efeitos que a 1ª Guerra mundial trouxe à Europa e, em especial, à Grã-Bretanha.
Obama poderá tentar, mas as suas decisões pouco afectarão a economia mundial, pois esta já não depende única e exclusivamente da saúde financeira norte-americana como depende dos cereais sub-equatorianos ou do oscilar do petróleo ou mesmo do crescimento dos países emergentes.
A nível da Segurança mundial, aí sim, Obama tem uma forte palavra a dizer. Retirar ou não retirar do Iraque. O que fazer com a Coreia do Norte, o Irão e o "Estado " Palestiniano. Como tratar a Rússia? Eis questões que Obama terá de responder e serão essas respostas que, sobremaneira, farão a América (ainda, mas só) influenciar o Mundo.
Apesar da onda de Euforia (ou não) criada em volta de Obama, alguns não se deixaram "levar".
O presidente Russo, Dmitri Medvedev, já mandou alguns recados a esta nova Administração (que ainda nem tomou posse!!)
"Caso seja necessário para neutralizar o sistema de defesa anti-míssil, iremos instalar na região de Kalininegrado o sistema de mísseis Iskander" afirmou Medvedev no seu primeiro discurso sobre o Estado da Nação.
Num discurso recebido com fortes aplausos pelos muitos que assistiram, Medvedev, em tom mais pacificador, afirmou: "Devo sublinhar que não temos problemas com o povo americano. Espero que a nova administração enverede pela via da criação de relações completas com a Rússia",
Mas logou rematou: "a imposição à Europa de sistemas de defesa anti-míssil americanos, claro está, provocará medidas de resposta por parte da Rússia".
Em todo este discurso de hora e meia, nunca o presidente russo congratulou Obama pela sua vitória.
Uma Sombra "FRIA" paira já sobre a futura Administração...
Fontes do Ídolo: Com Obama, o que vai mudar na América e no Mundo?
Vitor Pimenta: Entendo que Obama é antes de mais um excelente produto da democracia americana e só possível por lá - duvido que tal fosse possível neste Portugal criptorracista. E por aí vai a mudança e a lição para todo o mundo, essa a maior de todas: um presidente que exprime finalmente a primeira frase tirada da Declaração da Independência : "All men are created equal", e que na América sonha-se bem melhor que na Europa.
F.I.: A eleição de Obama vai ser o pontapé na crise mundial?
V.P.:Será pela "confiança". Acho que é a única coisa que sistema político, neste momento, pode fazer como financeiro. Obama enche os E.U.A. e os mundo de "esperança" e "sentimento de mudança", bálsamos para esse estranho indicador - muito científico - o da "confiança" que tanto alimentou a bolha e o casino de Wall Street. Este capitalismo está a meu ver obsoleto, porque é um contínuo gerador de crises. Enquanto não for refundado, com outro paradigma dificilmente se sairá destes ciclos de crise. Não creio que Obama o possa fazer, porque este foi financiado pela mesma máquina que gera e beneficia das crises.
F.I.: Como fica a direita americana?
V.P.: A Direita americana já saiu fragilizada da actual crise. Obama, como se viu, beneficiou pelo que poderia não ser como Presidente face a McCain. Nos Estados Unidos o dinheiro conta. A direita americana tem a difícil tarefa de ressuscitar o liberalismo económico, na diminuição do peso do Estado na Economia ao mesmo tempo que terá de lidar com um Partido Republicano entregue a fanáticos religiosos e maus-perdedores. A tarefa teria uma nova via, alternativa como atractiva, em homens como Ron Paul. Este médico, constitucionalista, parece-me alguém a quem a Direita Americana devia dar atenção nos próximos anos.
"Last night, I had a warm conversation with President-elect Barack Obama. I congratulated him and Senator Biden on their impressive victory. I told the president-elect he can count on complete cooperation from my administration as he makes the transition to the White House. I also spoke to Senator John McCain. I congratulated him on a determined campaign that he and Governor Palin ran. The American people will always be grateful for the lifetime of service John McCain has devoted to this nation, and I know he'll continue to make tremendous contributions to our country. No matter how they cast their ballots, all Americans can be proud of the history that was made yesterday. Across the country, citizens voted in large numbers. They showed a watching world the vitality of America's democracy and the strides we have made toward a more perfect union. They chose a president whose journey represents a triumph of the American story: a testament to hard work, optimism and faith in the enduring promise of our nation (...)"
Eleição de Obama foi «melhor dia da vida» de Madonna.
"Madonna descreveu o dia da eleição de Barack Obama como o melhor da sua vida. A cantora comentou o resultado num concerto em Petco Park, na California".
De acordo com estudos realizados, esta foi a campanha presidencial Norte-Americana mais cara de sempre com o valor recorde de 5, 3 biliões de dólares!!!!!!!!!! Trata-se de um singelo aumento de 27 % face à campanha de 2004.
Dos muitos luso-descendentes que foram a votos para lugares nos Senados Estaduais, 3 conseguiram a sua eleição.
Teresa Paiva-Weed, Daniel da Ponte, Marc Pacheco e Jennifer Veiga foram reeleitos por larga maioria, respectivamente, para os senados de Rhode Island, Massachusetts e Colorado.
A novidade do dia, histórica dizem, é que a América tem o primeiro-presidente negro. Eu diria que, de verdade, é mais o primeiro presidente café-com-leite.
Muito se falou acerca dos "Swing States" (também bélicamente, ou não estariamos na América, chamados de "battleground states"), afirmando-se que seria aqui que se veria o vencedor.
Eram 15. Obama venceu 12. Para McCain ficaram apenas West Virginia, Georgia e Montana.
Muito pouco para quem queria chegar à Casa Branca.
Mas vamos lá entrar na Obamania, que qual onda mexicana - sem ofensa, nem mal-entendidos raciais - ia varrendo sucessivamente Maccainaquistões e Republicanaquistões coast-to-coast, para gáudio do resto do mundo, Judite de Sousa, Luís Costa-Ribas e Mário Crespo. Lindo o ensaio sobre a cegueira. Se a Democracia se tornou mais um produto mediático, os Estados Unidos são a sua Endemol.
Tão pouco estávamos em passagem de ano, mas nem por isso as televisões portuguesas, como tantas outras, se descartaram de correr capitais do mundo para o revelhão de Barack. O jornal da Tarde assim o parecia, conforme se sucediam capitais e gente em euforia. Tudo pela mudança, que a meu ver não vai chegar da maneira que se espera. Como disse no "Trio de Bloggers" do RCP, os americanos não votam pelo resto do mundo, votam pelo seu bolso. A "change" que promete Obama, será mais uma tentativa de "keep the change" - os trocos como paliativos que aguentem para já o colapso da classe média americana no instalado modelo de capitalismo americano, que mesmo tido como inquestionável é o maior gerador de falsas expectativas nas pessoas.
No discurso de vitória, Obama foi Coerente com a imagem que quis dar de si próprio na campanha, colocando água na fervura daqueles que já o viam como o messias.
"É um trabalho muito dificil aquele que nos espera, pode não se conseguir nem num ano, nem numa legislatura".
Acho absurdo o convite, para comentar resultados eleitorais na América, feito a um analista de sofá tão bom como tantos outros que não conhecem os Estados Unidos por dentro, e que como treinador de bancada, sem curso nem penteado como Nuno Rogeiro e de conhecimento totalmente empírico, ousa da sua experiência na sólida democracia portuguesa para dar lições democráticas aos americanos, quiçá olhá-los de cima.
Ora a tarefa é de si, que me desculpem autores do blog e leitores, inútil como a roça a paródia bísara. Para quem vive num país mal habituado à cidadania e a liberdade de expressão, muito menos a democracias - já que lá vão uns 30 e tal anos de existência macambúzia - não me sinto menos que a vizinha do Zé Maria em directo da Venda do Pinheiro a dissertar psicanálise.
Aconselho o visionamento total do discurso de derrota de John McCain.
Não é por simpatia que lhe chamam o mais moderado dos Republicanos. Grande humildade neste discurso, não só por dar os cumprimentos da praxe mas, essencialmente, por pedir a todos os que votaram nele para se unirem em volta de Obama e do bem da Nação.
Isto é ser Nacionalista. MacCain é. Obama também. "this Election is about you" disse Obama num comício. Primeiro a nação. Os partidos depois.
Um blogue roubado à vontade de dizermos o que queremos. Por uma ilusão de liberdade num deserto de pedregulhos. Uma morte simbólica neste admirável mundo novo que se soçobra.
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Um espaço novo que integra um edifício (blogosfera) que alberga o conjunto arqueológico, de forma a protegê-lo e enquadrá-lo ao criar as condições climatéricas necessárias para que não se degrade.
Ao longo de seis meses, alternando entre a Velha-a-Branca e o Salão Pedro Remy, na última segunda-feira do mês, três bloggers conversam com duas personalidades de áreas (mais ou) menos interligadas no quotidiano dos dias.