Joalharia em Biana-do-Castelo

Gosto da maneira que a joalharia se actualiza com o tempo....
Viva o amor e os finais felizes!

P.S.: Ainda em Viana há uma maravilhosa minúscula pastelaria perpendicular à avenida da estação, (desculpem mas não sei o nome da avenida), que tem as melhores bolas de berlim que já comi, a pastelaria chama-se Natário e só vende as bolas a partir das 11:30h e tem que se esperar para compra-las!! mas vale a pena..... nhami nhami :)

Sugestão cultural

Como está um lindo tempo aproveitem para ficar em casa com uma manta e pôr a leitura em dia! Sim, estou amargurada com este tempo...
Caso queiram mesmo, mesmo, mesmo sair sugiro o primeiro Festival de Música Urbana de Braga, este certame de produção independente que tem por palco o Museu de Arqueologia D.Diogo de Sousa e se prolonga até domingo (13). Boa oportunidade de ouvir música alternativa!

Já que se encontram no centro da cidade, que anda cheio de gente, aproveitem o Astória com a esplanada nova. Gosto sempre de passar junto da torre, onde se encontram pessoas de idade avançada a ouvirem a música portuguesa popular (música pimba), a darem o seu pézinho de dança e se calhar no engate!


No Theatro Circo, uma produção da Arte Total uma proposta de dança contemporânea das Aventuras de Alice no País das Maravilhas, hoje pelas 21:30h na Sala Principal.



Se vos apetece festa, figuras públicas e praia, o Bib´ofir e Pacha já estão abertos.

Bom descanso semanal, as férias estão próximas!! :)

Muito agradecido

Quero aqui agradecer solene e publicamente ao Sr. Danone e a quem se lembrou de inventar o iogurte líquido morango/framboesa.

Eia k'ganda cena 18

Milagre! É milagre, meus deus!

Qual Lúcia mais os irmãos míopes, qual curandeiro de Chaves mais a virgem que chora lágrimas de sangue. Povo do Vaticano abram os olhos: a verdadeira milagreira está aqui!

Cá pra mim, o Luis de Matos anda metido nisto...

Férias blogosféricas forçadas

Durante quase três séculos, os relógios de pêndulo foram a única maneira de medir o tempo com precisão. Em 1595, Galileu Galilei descobre a Lei do Pêndulo. Surgem assim os relógios mecânicos e ao mesmos tempo uma grande variedade de técnicas de registo da passagem do tempo.
Tal como no tempo de Galileu, 1 dia continua a ter 24 horas e cada hora é equivalente a um conjunto de 60 minutos. No entanto, o tempo é um bem cada vez mais escasso. Vou estar uns dias de férias de blogue em virtude dos meus afazeres académicos (relatórios que nunca mais acabam...). Vou compensar estes dias de férias durante o mês de Agosto, pois vou estar no activo. Bem, vou ali e já volto.
Até breve.

Debate da nação: o guião!

Presidente da Mesa da Assembleia: Bem-vindos, blá blá blá respeito pelos outros blá blá blá democracia blá blá baluarte da liberdade blá blá blá blá tem a palavra do PM.

Primeiro-Ministro: Todos sabem que sou o maior. Ninguém veio a esta câmara mais vezes do que eu. Sou o maior e também o mais bonito. Quem faz oposição já cá esteve e não faz nada. Sou o maior. O mais bonito. E nunca ninguém veio cá tantas vezes como eu. Gosto de debater. E sou o maior. Esquerda responsável. O Louçã é mal-criado. Paulo Portas um oportunista. O PSD voltou ao passado. Sou o maior. Em Portugal não há pobres, desemprego, falta de médicos e equipamentos sociais. Sou o maior...

Reacção das bancadas

PS: Muito bem!; É assim mesmo!; Bravo!
Gajo do PEV: e os pássaros caralho? ninguém quer saber dos pássaros?
PSD: Não é verdade!; E as contas deste ano! Isso é mentira!; Demagogia!
CDU: E o capital?; À custa dos trabalhadores; Políticas de direita!
CDS: E as famílias?; Mentira!; Demagogia!
BE: Eu fiz as contas!; Lucros da Galp!

Líder bancada PSD: blá blá blá claustrofobia democrática blá blá blá concordamos com a cena do tratado de Lisboa blá blá blá blá o TGV não vale nenhum blá blá blá reformas e salário mínimo blá blá blá...

Reacção das bancadas

PSD: Muito bem!; É assim mesmo!; Bravo!
PS: Não é verdade!; E as contas deste ano! Vocês já lá estiveram!; Demagogia!
CDU: E o capital?; À custa dos trabalhadores; Políticas de direita!
Gajo do PEV: e os pássaros caralho? ninguém quer saber dos pássaros?
CDS: E as famílias?; Mentira!; Demagogia!
BE: Eu tenho as contas!; Lucros da Galp!

PM: Eu sou o maior. Vocês quando foram governo não fizeram nada! Eu sou o maior!

Líder bancada CDS: blá blá blá os idosos e os agricultores não comem blá blá blá tenho aqui uns recibos com IVA a 20% e o produto é mais caro do que era com 21% blá blá blá blá o senhor é propotente blá blá blá...

Reacção das bancadas

CDS: Muito bem!; É assim mesmo!; Bravo!
PS: Não é verdade!; E as contas deste ano! Vocês já lá estiveram!; Demagogia!
CDU: E o capital?; À custa dos trabalhadores; Políticas de direita!
PSD: E as famílias?; Mentira!; Demagogia!
BE: Eu tenho as contas!; Lucros da Galp!
Gajo do PEV: e os pássaros caralho? ninguém quer saber dos pássaros?

PM: Eu sou o maior. Vocês quando estiveram no governo não fizeram nada. Sou o maior!

Líder bancada CDU: blá blá governo de direita blá blá oprime os trabalhadores blá blá lucros os grandes grupos económicos blá blá blá trabalhadores sem direitos blá blá blá blá...

Reacção das bancadas

CDU: Muito bem!; É assim mesmo!; Bravo!
Gajo do PEV: e os pássaros caralho? ninguém quer saber dos pássaros?
PSD: Não é verdade!; E as contas deste ano! Isso é mentira!; Demagogia!
PS: Vai prá Coreia do Norte!; Olha as FARC!;
CDS: E as famílias?; Mentira!; Demagogia!
BE: Eu tenho as contas!; Lucros da Galp!

PM: Sou o maior. Há 30 anos que vocês dizem o mesmo. Sou o maior.

Líder bancada BE: blá blá blá blá tenho aqui as contas blá blá blá lucros da Mota-Engil e da EDP blá blá blá você é amigo do Mexia e do Coelho blá blá blá blá ladrões são todos uns ladrãoes blá blá blá

Reacção das bancadas

BE: Muito bem!; É assim mesmo!; Bravo!
Gajo do PEV: e os pássaros caralho? Louçã fala tu dos pássaros, pá!
PSD: Não é verdade!; E as contas deste ano! Isso é mentira!; Demagogia!
PS: Vai prá Coreia do Norte!; Olha as FARC!;
CDS: E as famílias?; Mentira!; Demagogia!
CDU: Eu tenho as contas!; Lucros da Galp!

PM: Você é mal-criado. Eu é que sou o maior.

Presidente da Mesa da Assembleia: Portanto blá blá blá respeito pelos outros blá blá blá democracia blá blá baluarte da liberdade blá blá blá blá até à próxima.

Então, chega ou não chega?

Este é como o fiado! É só amanhã...

Chegado de uma horas na praia


Olá, gente da minha terra!

SCBraga?


Jesus quer uns avançados. Pinilla está sem clube e tem uma proposta de Portugal. Carlos Freitas, o mago do bem-fazer desde que para tal não implique mais do que conhecer jogadores que tenham sido formados no Sporting ou que pelo menos por uma altura na sua vida por lá tenham passado, terá somado 1+1?

eu vi um sapo...um grande sapo...


A Nossa Senhora de Lurdes (Rodrigues)...


Numa altura em que o panorama do ensino/aprendizagem da Matemática em Portugal sofreu uma profunda alteração redentora, impõem-se momentos de celebração e regozijo… O tempo é de felicidade, a Matemática deixou de ser um bicho-de-sete-cabeças para os alunos portugueses, o imenso esforço de um ano escolar pautado pelo trabalho e pelo afinco surge recompensado. Pitágoras, lá dos céus, acena jubilosamente a Maria de Lurdes Rodrigues e à sua inesgotável sapiência.

Facilitismo? Embuste estatístico? Manipulação da realidade escolar? De forma alguma! O intelecto dos pupilos foi iluminado por um sol livre de qualquer peneira e a eficiência prodigiosa do Ministério da Educação é irrefutável. Aqueles que dizem o contrário até podem saber muito de Matemática, mas, claro está, nada de avaliação…

Tudo seria perfeito, não fosse o péssimo trabalho realizado pelos professores de Português… Esses patifes que roubaram a cereja do bolo! Esses devoradores de frutos vermelhos e, pior ainda, de sebentas!

Cesse a teoria do fingimento! Olhemo-nos ao espelho e assumamos, cada um de nós, a nossa quota-parte de responsabilidade. Deitemos os espelhos estilhaçados ao lixo, pois esses adulteram as imagens, reflectem mera despersonalização e deturpação da realidade. O país tem de livrar-se desta heteronímia doentia.

O momento não é de festa, de comemoração, mas de catarse. Em Educação, não existem anjos sem sexo, seres messiânicos e, muito menos, milagres. O mundo do ensino é um universo sem Deus… Cabe a todos os actores educativos, sem excepção, governá-lo, conduzi-lo, livrá-lo das trevas e procurar a luz inesgotável do verdadeiro conhecimento… Será possível alcançá-la? Isso é o que menos interessa:

Enquanto lhe preparavam a cicuta, Sócrates pôs-se a aprender uma ária na flauta. “Para que te servirá?”, perguntaram-lhe. “Para saber esta ária antes de morrer.”

No Tempo dos Dinossauros

Às vezes fico admirado por que se mostram os intelectuais de Braga e Universidade anexa, gente da cultura, apóstolos da História e arqueologia, incomodados pela falta de promoção da tal cidade milenar no seu passado romano, quando já tem cúria e balneário que chegue. Para não falar dos bacanais intraportas e cagadouros como acto social, na faladura, perfumada pelo traque e o cigarro, quedada por ali, em cafés e nas trombas dos empregados d’A Brasileira.
A esta Braga Augusta (no português feito em desacordo ortográfico com o Latim) ainda se somam as procissões de santinhos, as golpadas no senado, a lata, os oradores e os oráculos, a religião como cruz tendeira de todo um patriarcado de visões arrepanhadas e protectora de divindades tão perenes que parece que não morrem. Mais romanos que isto? Que se lixe o montão de pedras debaixo da Estação e das Frigideiras do Cantinho. Braga, meus caros, é nas colinas da cidade e vilarejos em redor, território de Dinossauros.
E qual Estegossauro da Bracalândia, qual quê? Os bracarenses até que não se podem lamentar da perda do seu chamadouro de galegos para Penafiel, quando têm um dos mais completos Parques Jurássicos do País. É aproveitar os dinossauros autóctones, bem alimentados e fazer-lhes cartaz.
Nem é preciso contratar paleontólogos ou criar o curso no campus para desenterrá-los. Eles prosperam nas autarquias: velociráptores, tricerátopos, braquiossauros, carnívoros e herbívoros, grandes e pequenos como as Juntas e do tamanho do seu eleitorado. Um em cada freguesia, caducos e bem acomodados. No domínio, feito cadeia alimentar, encimados pelo T-Rex de toga. Na pirâmide, desde o topo, todos afilhados e perfilhados pelos regedores e outros dinossauros velhos, alguns por enterrar de vez, outros a sofrer da próstata, encostados de qualquer maneira e motivo à bandeira partidária que calhou no PREC, tão tacanha quanto o arcebispado, quem sabe para suavizar o selo de reacção - afinal até é socialista, esta cidade da Esquerda Valha-me Deus.
Na base restam quase todos, mamíferos, pequenos e peludos, tão dependentes que até tremem as patas na hora de ir votar. O Estado social tem este lado perverso no poder local, perpetua o domínio dos répteis, ásperos e velhos, tão fora de tempo e tão viciados em cimento. Braga é afinal, um pantanal como os outros por esse país abaixo. Aguarda-se um meteorito.
Texto de Vitor Pimenta

Recomendo

"Não há Machado que corte a raiz ao pensamento".

Frase da Semana

"Isto é um golpe de Estado."

Álvaro Braga Júnior, Presidente do Boavista, a propósito da atitude tomada pelos cinco conselheiros do Conselho de Justiça

o que perderam no fds, além da oportunidade de me conhecerem e conhecerem a sandra :)

Realizou-se este fds a iniciativa "Pensar Jovem, Pensar Portugal". Para aqueles que julgam que discutir política é uma perda de tempo e que as juventudes partidárias servem para irmos preparando o óleo para ferver no "tacho" que arranjamos em adultos, esta iniciativa teria sido ainda mais importante!
Jovens de todo o país reuniram-se 3 dias para debater assuntos que dizem respeito a todos, à juventude em particular! Prova disso foi o debate sobre educação e formação ter-se prolongado imenso, com bastantes intervenções e muita discussão à mistura..não fosse hora de almoço e não estar grande parte dos participantes em crescimento e ainda agora estavamos lá :)
Aferições gerais: o Dr. Pacheco Pereira surpreendeu-me muito pela positiva, um senhor; O Dr. Miguel Relvas é efectivamente e nas palavras do próprio "um optimista"; o Dr. Emídio Guerreiro e o Pedro Duarte brincaram ao mesmo tempo em que se discutiam políticas educativas e propostas e sugestões dos participantes :)...
as refeições resultaram simultaneamente em períodos de debate e amena cavaqueira! desde o tratado de lisboa ao nome alternativo que os profissionais liberais do sexo, versão masculina: bombeiros "assapadores"..está em votação! eh eh eh brincadeirinha
tive igualmente oportunidade de conhecer a Helena Antunes e trocar algumas opiniões! :)
Parabéns aos meus colegas de secção que tornaram esta iniciativa possível! A comissão oraganizadora realizou um trabalho fenomenal!

Caminhando “por Braga”

Ò Braga minha cidade,

quanto eu gosto de cá estar,

e ver tudo o que se passa,

sempre a tentar ajudar.


Esta cidade dos arcebispos,

que de padres está cheia,

não faltam cá diabos,

a fazer o seu pé de meia.


De Tibães ao Bom Jesus

nem tudo me deixa apaixonado,

porque entre este curto percurso,

há muito betão armado.


Na arcada dos ardinas,

vemos o belo chafariz,

se as pessoas não estão finas,

levam com água no nariz.


O jardim de Stª Barbara,

com namorados em repouso,

com certeza que a todos agrada,

é digno de um aplauso.


Caminho pela avenida abaixo,

até ao parque lá do fundo,

já passeio o rio este,

que cheiro nauseabundo.


Chegado ao parque da ponte,

como está degradado,

dantes bebia água na fonte,

e corria a volta do lago.


Logo acima o 1º de Maio,

já lá vi bons espectáculos,

agora tem um estádio Axa

que nos leva os patacos.


Parto daqui para a Falperra

onde uma velinha pus,

passei pela Santa Marta,

e agradeci ao menino Jesus.


No elevador entrei,

pelos escadórios não vou eu,

pelo canudo já não espreitei,

porque ele desapareceu.


A contornar as pedras do chão,

até aos barcos vou remar,

porque aqui não há betão,

é a Braga que continuo a amar.


Já estou quase no topo,

falta pouco para o Sameiro,

á cripta vou subir,

para ver Braga inteiro.


Agora para me despedir,

a todos vos quero dizer,

Braga tem coisas bonitas,

muitas mais poderia ter...


Texto de Alexandre Prata

A propósito das notas nos exames: a reflexão que se pedia.

Exames: chumbos a matemática descem mas média de português abaixo dos 10 valores

Os testes de Português podiam ser substituídos por uns papeluchos como os do Totobola

Posso ser honesto? Sim? Ainda bem! Então, os alunos já são razoáveis a matemática, mas ainda são maus (vá, mauzinhos) a Português. Huummm, deixem-me lá ver o que se passa...!?! Eu gostava de poder falar também da matemática, mas confesso que a melhor nota que tive a matemática foi um 5 no 6º ano. Mas aí não conta para nada. Presumo que até o Sócrates tenha tido 5 a matemática no 6º ano. Ou mesmo o Jorge Coelho. O Cláudio Ramos teve 3. E só porque escolheu os sapatos da professora para a festa de Natal. Em compensação, recebeu a medalha de ouro (consecutivamente) no salto de cu pá pila. Encorpado à retaguarda. Flick flack, como elas gostam de dizer. Tive também 17 a métodos quantitativos. Mas todos nós sabemos que métodos quantitativos é uma espécie de educação física dos gordos. Serve para levantar a média. Alevantar, se quem me tiver a ler tiver nascido depois de 1990. Tás a ver, sócio? Montado este cenário (atenção, jovens nascidos depois de 1990, não estou a falar da roupa) é difícil para mim perceber o que se passa na matemática. Mas sei somar 1+1. Sem máquina de calcular. Logo, não digiro muito bem as explicações do mono, perdão, da ministra. Então, os chavalecos evoluíram de um ano para o outro 2,1 valores (!, Nuno Crato, atenção à concorrência) apenas porque foram colocados uns testes no sítio do GAVE, e porque houve mais tempo na preparação dos exames (!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!) e porque houve também um «maior alinhamento entre o exame, o programa e o trabalho desenvolvido pelos professores», vulgo: fizemos-lhes a papita toda a ver se isto resulta! Pois, está visto que ainda não é nos próximos anos que amandamos um foguetão para o espaço. Q'sa foda! O que interessa é a mama da UE. Que bem que vamos estar nas reuniões aquando da atribuição dos subsídios.

No Português, a música toca diferente. É mais rouca. Mais sombria. Se os alunos são burrinhos como o Deus me livre, os meus caros colegas sêtores não são diferentes. Aliás, creio, melhor tenho a puta da certeza mais absoluta, que enquanto tivermos analfabetos, iletrados cujo plano mental, por meio de uma operação intelectual, se resume à transcrição para uma folha em branco dos resumos das Edições Sebenta, estamos literalmente e magnanimamente fodidos. Eu sei que é que não fácil e mais o caralho! Dá trabalho, chegar a casa, pousar as tralhas e ter de pensar como planear as aulas (principalmente quando se chega a casa exactamente na hora em que começa o rol de novelas...), fazer uns pwp's, quiçá procurar uns poemas musicados, inovar uma beca e entrar na cabeça dos putos. Sim, porque eles têm cabeça - com massa cinzenta e tudo - e, por incrível que pareça, também sabem responder afirmativamente quando devida e verdadeiramente motivados. Então, vamos lá ver se eu me explico. Os alunos, na verdade, são o receptores de toda a preguiça, aselhice, inépcia, ignorância e má-vontade que reina no sistema de ensino. Sem querer sair da área onde falo relativamente fundamentado, o ciclo vicioso é o seguinte: há os gajos que dizem o que vai ser leccionado; depois há os gajos que publicam as sebentas com os resumos daquilo que vai ser estudado; estes auxiliares lícitos são comprados pelos alunos e pelos professores; os professores mancos de qualquer espírito crítico e agarrados ao conforto da rotina e do seguidismo dão as aulas usando os esquemas das sebentas, com os exemplos das sebentas, com as palavras das sebentas, com as imagens das sebentas; os alunos fartos de ouvir falar no olho vazio do Camões mais as barbas do Adamastor e nas cena de sexo (?) na Ilha dos Amores (ui que delírio, "os alunos é que gostam deste capítulo, ficam todos com aqueles risinhos ihihihihihih, eles gostam mesmo disto... e nós também... eu ainda uso os resumos que me deu a minha orientadora de estágio em 1985...") começam a cagar d'alto para tudo o que lhes é dito. Até porque está tudo nas sebentas... Amigos, basta acender uma pequena luz de fósforo (daquelas inofensivas e efémeras) para se ver a grande massa de sombras que paira sobre o interesse que estas matérias espoletam. Eu bem sei que não é fácil aguentar a estuporada desordem da vida. É a casa, os miúdos, o marido, a mulher, os pais, as compras. É fodido. Dá jeito chegar à aula sem que se tenham perdido umas horas no dia anterior a prepará-la. Dá jeito, gastá-las connosco. O problema é quando isto se torna o dia-a-dia. Pegamos na nossa vida, reduzimo-la a dois ou três tópicos que se equacionam e condensam até transferimos a confusão para o lugar mais recôndito e fundo da nossa significação. Mas ser professor é, imaginem caros colegas, gostar de estudar. Todos os dias. Ler todos os dias. Querer saber todos os dias. Ser professor não pode ser apenas limitarmo-nos a debitar, ano após ano, as mesmas imagens, os mesmos falsos sentires. E a emoção? E os acontecimentos excessivos que provêm das novas experiências? Ainda por cima, sendo Portugal um país de extraordinários escritores (vivos, imaginem! daqueles que podem ser convidados para palestras, daqueles que falam abertamente das suas obras, daqueles que podem questionar a nossa pretensa autoridade enquanto professores... daqueles que nos podem a qualquer momento deixar ficar mal perante os nossos alunos... daqueles que nos podem pôr à prova, daqueles que pelos vistos assustam o rebanho dos mentecaptos licenciados em Português) cujo modo de abordar os temas é muito mais próximo dos nossos alunos. Escritores que praticam as artes sem parcimónia, que falam da vida e de que como nos podemos desembaraçar dela. Escritores que escutam a loucura, a tenebrosa e maravilhosa loucura que parece ser o grande segredo deste milénio. Mas para isto é preciso, imaginem, gostar de se ser professor. É preciso saber ser professor. Então, de português... É preciso saber ler o sopro primordial de cada novo texto. E é isso, meus amigos, que a esmagadora dos professores de português não sabe fazer. E não é por medo. É porque também eles são fruto desse mesmo sistema mecanizado de ensino. Também eles são filhos das mesmas sebentas. Também eles só leram os resumos do Camões, do Eça, do Camilo, do Pessoa... Todos eles estão afogados na história de outros homens, alimentados de textos datados, alimentando-se de séculos obsoletos. Porque a grande maioria é absolutamente incapaz de desfrutar a tormentosa inocência de enfrentar dilacerado o abismo da criação sem a sua protecção divina. As putas das sebentas!

A cidade é minha, é tua.

“Sou dessa terra, onde as pedras contam histórias, onde as ruas têm memórias…”

A minha cidade não me viu nascer. Curiosamente, fui nascer não longe daqui. Para mim o nascer é uma questão relativa. Por muito que goste (e gosto) dos outros locais que me dizem muito, nunca me senti de mais lado algum senão de aqui. As ruas, as esquinas, os becos, as calçadas de Braga, eu sou isso tudo e mais alguma coisa. A cada passo que dou enquanto percorro os seus cantos, respiro o seu ar, toco nas suas pedras. Porque uma cidade não é apenas uma cidade. Sinto nos braços da cidade o conforto que me falta em todas as outras cidades. Uma cidade é o que eu sou, o que tu és. Braga só é Braga por minha, por tua causa. Em cada esquina, sente-se a cidade, em cada fim de tarde de Verão, sente-se tudo o que ela é, tudo o que somos. E a chuva, a chuva que tanto gosta dela… É um amor incompreendido, digo eu. A água adora caminhar pela sua calçada, pousar em cada telhado, em cada beco escuro e sombrio, como se voltasse ao sítio mais seguro que conhece… Cidade de defeitos e virtudes, tal como nós, Braga está algures num local escondida. À imagem de Portugal, Braga vive entre a glória do que foi e a glória do que poderia ter sido. Aqui respira-se história. Em qualquer caminho do Arco da Porta Nova à Arcada, encontra-se o passado ao virar da esquina. O contraste é mesmo esse. Passado e futuro na mesma esquina. Caminhem num fim de tarde pelos becos da Sé, encontrem-se de frente com o pôr – do – sol. E contemplem. De seguida, fujam. Para muito longe de preferência. Conheçam o Mundo. Dêem a volta ao Mundo se quiserem. Se não quiserem tanto, dêem a volta a Portugal. Bebam tudo o que conseguirem beber do resto do Mundo. Entusiasmem-se. Sintam a saudade. E depois regressem. Voltem a caminhar pelas ruas de Braga, ao pôr – do – sol. Sintam o cheiro, o toque, o sabor… Sintam tudo o que possam sentir da nossa cidade. Porque afinal, todos sabemos que nada se compara ao regresso a Braga…

Texto de Mestre Moé Lá

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