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Os olhares mudam...

Vou dar o meu olhar sobre Braga de quando tinha 5 anos e o olhar de agora...

Guadalupe, um local no centro da cidade que muita gente desconhece, mas que eu costumava brincar quando era pequena, o meu avô levava-me e eu ficava horas nos baloiços, rodeado por um bonito jardim e ao lado o que eu chamava o “castelo” de Braga!

Fui lá esta semana, perdeu-se a imagem que tinha, foi-se o “castelo”, foram-se os baloiços, ficou o jardim! Muito mal tratado, diga-se... Tenho pena que um dos sítios com uma vista privilegiada sobre a cidade esteja tão mal tratada e não o arranjam de forma a que se torne um ponto turístico!

O olhar sobre Braga muda, tal como a cidade, bem como muda a nossa vida... Os locais sagrados das nossas memórias mantêm-se apesar das constantes mudanças da cidade e assim vários locais tem significados diferentes: A doçaria de S.Vicente os maravilhosos bolos de anos; a escolinha de primária de S.Victor; os panikes do Chave D`ouro; o Jardim de Santa Bárbara....

Antes de ter Alzheimer vou-me sempre lembrar dos locais maravilhosos desta linda cidade. J

Cláudia Travessa

A minha Braga é a minha vida

Braga é a cidade que me viu nascer. Vivi durante quinze anos no seu centro. Caminhei tantas vezes perdido e por calçadas que conhecia tão bem. Subindo e descendo a imponente rua do Souto, o sangue vive…não para. Em Braga eu vivo, cresço, aprendo e sossego. Uma vida repleta de sonhos, de ilusões, de afectos e lembranças.
Mas na minha cidade nem tudo é especial. Nas ruas de uma Braga que foi Bracara Augusta descubro prédios devolutos, caídos no esquecimento dos seus proprietários. Olho para os prédios da minha cidade e vejo-os desconexos e sem critério, sem estacionamento para os moradores, não vejo árvore nem jardins, pequenos campos verdes para as crianças brincarem.
Quem vive na minha cidade, quase não tem sítios onde praticar desporto, com excepção dos campos da rodovia. A minha cidade tem igrejas, praças, museus e uma Torre de menagem, com absurdos horários que os tornam em templos de solidão e abandono!
As gentes da minha terra são pobres pessoas ricas, que suportam com um sorriso nos lábios a crueldade de imensas tempestades, sem nunca perder a capacidade de acreditar e de sonhar …. E de sorrir, mesmo nas tristezas…
Entre os que partem e, os que chegam, existe a azáfama e o encanto desta Mui Nobre Bracara Augusta.
Como tantas outras, para tantos outros, a minha cidade é certamente a melhor!

Braga

ora bem, este não é um exercício fácil. Braga é a minha cidade, sempre foi, sempre será! Adoro viajar e pretendo fazê-lo toda a vida mas sei que voltarei sempre aqui! é aqui que está a minha gente, é a esta que eu chamo a minha terra, aquela que está profundamente enraizada na minha forma de ser!
vivi, até aos 16 anos na aldeia de este s.mamede. cresci, passava lá os dias, na aldeia de este s.pedro. fui muito feliz. sempre que lá estou, sou sempre um bocadinho mais :) como disse, fazem parte de mim!
as 16 mudei-me para uma freguesia mais urbana e apercebi-me da diferença que os espaços têm na vida das pessoas. o mal de braga é que não oferece as condições necessárias a uma vida de qualidade. a nossa braga urbana não soube desenvolver-se! não conseguiu crescer sem morrer um pouco em cada prédio :( mesmo os edifícios mais característicos, mesmo o centro, sofrem constantes ameaças em nome do tão proclamado "desenvolvimento"...

como disse, gosto muito de viajar e conhecer diferentes realidades, formas de ser e estar. tive já oportunidade de conhecer cidades que oferecem todo o tipo de equipamentos e infra-estruturas de uma cidade desenvolvida e isso passa também por oferecer aos cidadãos espaços de lazer dignos, tratados e proporcionais à população que alberga! é essa a minha mágoa em relação à minha cidade...os espaços verdes são cada vez menores, basta olhar para a encosta do bom jesus, para a encosta de espinho, para a encosta de s.mamede... as pessoas procuram encontrar nestes locais aquilo que não encontram na zona urbana e, com isso, estão a transformar a zona periférica em zona urbana :S
adoro a minha cidade, quero-a de volta!
Nota: escrevi este texto inserido na iniciativa do blogue. avisei que não seria um exercício fácil. não o escrevi pretendendo atribuir-lhe um significado político. é precisamente o oposto, todas as posições políticas que tomo, inclusivé a filiação na JSD devem-se ao que está igualmente na génese deste texto e não o contrário.

Imagens cor de cinza


Quadros pintados a nostalgia, fotografias cor de cinza que eternizam uma Braga consumida pelo fogo de um pretenso progresso, aniquilador insano de paredes de História, esquinas de identidade, alicerces de idiossincrasia.

“O que fizeram de ti?” Esta é a pergunta ateada pelo meu olhar, quando este repousa sobre as imagens de uma vida soçobrada, perdida entre escombros e muros de betão, que amortalham os pedaços, cada vez mais soltos, de uma existência milenar.

Como seria cruzar a Avenida Central, animada pelo ruído metálico dos eléctricos, do tilintar das campainhas? Qual a sensação de percorrer os trilhos do comboio fumarento, a famosa “chocolateira”, que ligava a Estação ao sopé da montanha verdejante que, ainda hoje, emoldura o Bom Jesus e acalma os olhares sequiosos de vastidão? Que sentimentos traria o percorrer da zona do Carandá, quando era um característico bairro operário, filho da cidade industrial dos finais do século XIX, ou o atravessar do Largo dos Penedos, no tempo em que mantinha o equilíbrio e a genuinidade das fachadas dos séculos XVIII/XIX? Como seria poder vislumbrar a sumptuosidade dos palacetes ao gosto burguês que o “urbanismo moderno” fez sucumbir?

Tão intensa me parece esta Braga desaparecida, somente devolvida pelas cores do carvão… Qual a razão de tão cruel aniquilação? Não teria sido possível evitar tamanho despojo?

Quadros pintados a nostalgia, fotografias cor de cinza… autênticos cais de veludo, que Lhe permitem atravessar a noite do passado sem futuro e atracar no olhar de quem A ama, mesmo não A tendo conhecido... Aos que A conheceram restará um sussurrar de memória pungente: A saudade não quer dizer que estamos longe, mas sim que um dia estivemos perto…

5 letras pretas numa placa branca quem vem de Famalicão pela E.N.- 14

É estranho, mas a verdade é que num primeiro impulso, um ímpeto a que poderíamos se tivéssemos tempo e vontade apelidar de animal, enjeito-me a enveredar pelo generalíssimo “está tudo mal”, quando penso em pensar sobre as coisas mais facilmente pensáveis no que diz respeito ao ufano amontoado da mais vil trupe que se tornou a mui digna, na sua apetência para a prostituição intelectual, cidade de Braga.

Braga é um jardim de tralhas povoado por pessoas que não podem discutir nada. Poder, podem, mas fazem da discussão o fim, não o meio. O gosto pela esgrima das palavras nem é lá muito intenso e, para além disso, quem dele faz modo de vida tem, geralmente, pulsos fininhos. Como se sabe, pulsos fininhos servem apenas para entrar melhor em sítios apertados. Não é o caso. Aliás, eles, os dos pulsos fininhos, têm também uma inefável tendência para os usar (aos pulsos) de abanadores, à falta das orelhas, repasto para algumas das melhores iguarias da região.

Por cá, o governo (qualquer um, se bem que por cá só houve de facto um) não tem vozes discordantes no seu seio, seja em relação ao que for. A populaça também acha “que sim” a tudo o que é proposto e o rastro de visco alastra-se. Isto do “que sim” criou raízes e houve chicos-espertos que perceberam que podiam chico-espertizar por aí através de vozes dissonantes. Caíram no engodo, os gajos! É que, diz-me a experiência, a uma voz discordante nem sempre corresponde um pensamento desarmónico. Percebem? Eles falam, falam… Oiça-se o pensamento (quando ele existe) em lugar de louvar a voz, só por ser dissonante. Um governo tem de ser uno, ok, mas não unânime. Discutam-se pensamentos, não vozes. E as solidariedades não são incompatíveis com a discordância pontual, cedo neste ponto sem problema. Contudo, o que me mói (mas felizmente não mata, que ‘tou rijo comóaço) é que quase sempre vamos ouvindo o mesmo estilhaçar pro bono da mesma(s) voz(es) a fazer mais ruído de fundo na política (e na sociedade, e na vida cívica e no activismo impoluto e desinteressado…) bracarense que dezassete Ferraris a acelerar ao mesmo tempo em Maranello.

Desta vez, a estação não me parece silly: parece-me inquieta. Como se uma tempestade memorável estivesse pronta a explodir. Braga é assim: “Les uns et les autres”, e se quiserem também pode terminar com um longo bailado, ao som do Bolero de Ravel. Por que já dizia Eugénio de Andrade, "Quando se tem um ideal o mundo é grande em qualquer parte". Desculpem mas hoje não verti nenhum dos meus palavrões, mas quem cresceu com esta certeza e tenta fazer dela o seu lema tende, de vez em quando, a ficar fodido.

Mesquita Machado: D. João Peculiar


Boneco de Kaos. Um exclusivo Fontes do Ídolo.

No Tempo dos Dinossauros

Às vezes fico admirado por que se mostram os intelectuais de Braga e Universidade anexa, gente da cultura, apóstolos da História e arqueologia, incomodados pela falta de promoção da tal cidade milenar no seu passado romano, quando já tem cúria e balneário que chegue. Para não falar dos bacanais intraportas e cagadouros como acto social, na faladura, perfumada pelo traque e o cigarro, quedada por ali, em cafés e nas trombas dos empregados d’A Brasileira.
A esta Braga Augusta (no português feito em desacordo ortográfico com o Latim) ainda se somam as procissões de santinhos, as golpadas no senado, a lata, os oradores e os oráculos, a religião como cruz tendeira de todo um patriarcado de visões arrepanhadas e protectora de divindades tão perenes que parece que não morrem. Mais romanos que isto? Que se lixe o montão de pedras debaixo da Estação e das Frigideiras do Cantinho. Braga, meus caros, é nas colinas da cidade e vilarejos em redor, território de Dinossauros.
E qual Estegossauro da Bracalândia, qual quê? Os bracarenses até que não se podem lamentar da perda do seu chamadouro de galegos para Penafiel, quando têm um dos mais completos Parques Jurássicos do País. É aproveitar os dinossauros autóctones, bem alimentados e fazer-lhes cartaz.
Nem é preciso contratar paleontólogos ou criar o curso no campus para desenterrá-los. Eles prosperam nas autarquias: velociráptores, tricerátopos, braquiossauros, carnívoros e herbívoros, grandes e pequenos como as Juntas e do tamanho do seu eleitorado. Um em cada freguesia, caducos e bem acomodados. No domínio, feito cadeia alimentar, encimados pelo T-Rex de toga. Na pirâmide, desde o topo, todos afilhados e perfilhados pelos regedores e outros dinossauros velhos, alguns por enterrar de vez, outros a sofrer da próstata, encostados de qualquer maneira e motivo à bandeira partidária que calhou no PREC, tão tacanha quanto o arcebispado, quem sabe para suavizar o selo de reacção - afinal até é socialista, esta cidade da Esquerda Valha-me Deus.
Na base restam quase todos, mamíferos, pequenos e peludos, tão dependentes que até tremem as patas na hora de ir votar. O Estado social tem este lado perverso no poder local, perpetua o domínio dos répteis, ásperos e velhos, tão fora de tempo e tão viciados em cimento. Braga é afinal, um pantanal como os outros por esse país abaixo. Aguarda-se um meteorito.
Texto de Vitor Pimenta

Caminhando “por Braga”

Ò Braga minha cidade,

quanto eu gosto de cá estar,

e ver tudo o que se passa,

sempre a tentar ajudar.


Esta cidade dos arcebispos,

que de padres está cheia,

não faltam cá diabos,

a fazer o seu pé de meia.


De Tibães ao Bom Jesus

nem tudo me deixa apaixonado,

porque entre este curto percurso,

há muito betão armado.


Na arcada dos ardinas,

vemos o belo chafariz,

se as pessoas não estão finas,

levam com água no nariz.


O jardim de Stª Barbara,

com namorados em repouso,

com certeza que a todos agrada,

é digno de um aplauso.


Caminho pela avenida abaixo,

até ao parque lá do fundo,

já passeio o rio este,

que cheiro nauseabundo.


Chegado ao parque da ponte,

como está degradado,

dantes bebia água na fonte,

e corria a volta do lago.


Logo acima o 1º de Maio,

já lá vi bons espectáculos,

agora tem um estádio Axa

que nos leva os patacos.


Parto daqui para a Falperra

onde uma velinha pus,

passei pela Santa Marta,

e agradeci ao menino Jesus.


No elevador entrei,

pelos escadórios não vou eu,

pelo canudo já não espreitei,

porque ele desapareceu.


A contornar as pedras do chão,

até aos barcos vou remar,

porque aqui não há betão,

é a Braga que continuo a amar.


Já estou quase no topo,

falta pouco para o Sameiro,

á cripta vou subir,

para ver Braga inteiro.


Agora para me despedir,

a todos vos quero dizer,

Braga tem coisas bonitas,

muitas mais poderia ter...


Texto de Alexandre Prata

A cidade é minha, é tua.

“Sou dessa terra, onde as pedras contam histórias, onde as ruas têm memórias…”

A minha cidade não me viu nascer. Curiosamente, fui nascer não longe daqui. Para mim o nascer é uma questão relativa. Por muito que goste (e gosto) dos outros locais que me dizem muito, nunca me senti de mais lado algum senão de aqui. As ruas, as esquinas, os becos, as calçadas de Braga, eu sou isso tudo e mais alguma coisa. A cada passo que dou enquanto percorro os seus cantos, respiro o seu ar, toco nas suas pedras. Porque uma cidade não é apenas uma cidade. Sinto nos braços da cidade o conforto que me falta em todas as outras cidades. Uma cidade é o que eu sou, o que tu és. Braga só é Braga por minha, por tua causa. Em cada esquina, sente-se a cidade, em cada fim de tarde de Verão, sente-se tudo o que ela é, tudo o que somos. E a chuva, a chuva que tanto gosta dela… É um amor incompreendido, digo eu. A água adora caminhar pela sua calçada, pousar em cada telhado, em cada beco escuro e sombrio, como se voltasse ao sítio mais seguro que conhece… Cidade de defeitos e virtudes, tal como nós, Braga está algures num local escondida. À imagem de Portugal, Braga vive entre a glória do que foi e a glória do que poderia ter sido. Aqui respira-se história. Em qualquer caminho do Arco da Porta Nova à Arcada, encontra-se o passado ao virar da esquina. O contraste é mesmo esse. Passado e futuro na mesma esquina. Caminhem num fim de tarde pelos becos da Sé, encontrem-se de frente com o pôr – do – sol. E contemplem. De seguida, fujam. Para muito longe de preferência. Conheçam o Mundo. Dêem a volta ao Mundo se quiserem. Se não quiserem tanto, dêem a volta a Portugal. Bebam tudo o que conseguirem beber do resto do Mundo. Entusiasmem-se. Sintam a saudade. E depois regressem. Voltem a caminhar pelas ruas de Braga, ao pôr – do – sol. Sintam o cheiro, o toque, o sabor… Sintam tudo o que possam sentir da nossa cidade. Porque afinal, todos sabemos que nada se compara ao regresso a Braga…

Texto de Mestre Moé Lá

Ontem, no Correio do Minho


Porque somos bracarenses?

O Pedro tem 8 anos e é sócio do Sporting de Braga, tal como o seu pai e, mesmo vivendo fora de Braga, numa terra de muitos adeptos dos clubes chamados "grandes", mantém-se fiel ao seu clube, deslocando-se ao estádio, pelo menos de quinze em quinze dias para acompanhar a sua equipa. Na escola, todos os colegas são benfiquistas, portistas ou sportinguistas e o Pedro habituou-se a perder todas as discussões futebolísticas dos intervalos das aulas à segunda-feira. Mesmo quando o seu Braga obtém grandes resultados no fim-de-semana anterior a essas fatídicas discussões, o Pedro perde sempre porque, se é verdade que contra factos não há argumentos, também é verdade que contra uma maioria ofuscada pela cegueira, não há argumentos que valham a ninguém.

A caminho de casa o Pedro imagina-se com a bola nos pés, emblema ao peito, o estádio 1º de Maio a vê-lo jogar e ele... A marcar, a marcar muitos golos. Fantasia acerca dos festejos que irá fazer, os golos que irá marcar, as lágrimas de alegria no momento do golo do título que o próprio irá assinar. Um dia, numa época menos boa do seu clube, influenciado pelos amigos e em vésperas de um jogo grande, o Pedro pergunta ao pai:

- Porque é que somos do Braga? Se calhar nunca vamos ser campeões e este ano ainda vamos mas é para a segunda divisão.

O pai explica que mais do que procurar vitórias com o nosso clube, devemos acreditar nele, porque acreditar em algo que é nosso, algo que de certa forma simboliza os nossos valores, a nossa região e os nossos interesses, é acreditar em nós próprios. Torcer por aqueles que ganham, simplesmente porque ganham, é não ter carácter. É procurar vitórias naquilo que não é nosso, é procurar vitórias a todo o custo quando não as temos noutras ocasiões da nossa vida. As vitórias devemos procurá-las no nosso dia-a-dia. No desporto são importantes, sabem bem, mas não são fundamentais ao nosso desenvolvimento e realização enquanto seres humanos.

O Pedro ouviu estas palavras, entendeu o seu pai, mas quando se tem oito anos e se quer ser o maior entre os amigos, as pequenas vitórias são importantes, principalmente as vitórias desportivas. Pensou para si e tomou uma decisão. Deixaria de ser bracarense e passaria a torcer pelo tal clube "grande" que iria visitar o Braga naquele fim de semana. Não comunicou a decisão ao pai, mas sabia que mais tarde ou mais cedo se iria manifestar a favor da sua nova equipa no estádio.

Chega o dia do jogo. Desta vez não levou o cachecol. Sentado na velha pedra do 1º de Maio assistiu calmamente ao aquecimento.

Porém, na altura da entrada em campo das equipas (na altura entrava uma de cada vez), algo insólito aconteceu. O Braga entra em campo, as bandeiras e os cachecóis bracarenses agitavam-se e o Pedro sentiu vergonha de não ter trazido o seu. Sentiu que aquela era a sua equipa, aquele o seu povo, aquela era a sua terra e as lágrimas começaram a correr secretamente pela sua face. Ninguém reparou. Chorou baixinho e jurou nunca mais trair a sua equipa, nunca mais trair o que era seu, o seu povo, a sua cidade, a sua gente.

Os anos passaram e hoje o Pedro tem vinte e cinco anos. O sonho de jogar pelo Braga foi-se desvanecendo talvez pela falta de jeito para representar um clube de tal dimensão e porque a vida o levou para outras opções profissionais. O Pedro agora vive em Braga e continua a ir a todos os jogos do Braga, com o pai e o irmão, e mais do que nunca acredita num Braga campeão. Não vai ser ele a marcar o golo do título. Mas espera estar no estádio a festejar quando esse dia chegar.

Dedico esta história, a todos aqueles que acreditam naquilo que é seu, nas suas gentes, nas suas raízes, nos seus clubes, sejam essas pessoas do Braga, do Guimarães, do Boavista, do Porto, do Sporting, do Benfica, de qualquer outro clube, de qualquer outra cidade. Mas escolham aquilo que é realmente vosso e que vos representa.


Texto escrito pelo Indústria. (artista anteriormente conhecido como Zé Ba(p)tista.)

Braga

Em primeiro lugar tenho que agradecer o amável convite que o Bruno Machado me endereçou para escrever um texto sobre Braga neste blog que, diga-se, acompanho com periodicidade. Mas tenho que dizer que hesitei. Hesitei porque não conheço Braga. Foram poucas as vezes que aí fui e, quando o fiz, foi em trabalho e de forma relativamente rápida.

Pensei: Aquilo que conheço (ou ouço falar) sobre Braga permite-me escrever um post sobre a cidade? Lembrei-me então da oportunidade que tive de ir a Braga, em 2006, dar uma conferência sobre toxicodependências promovida por um conjunto de instituições com intervenção na área da infância e da juventude. Aqui tive conhecimento duma prática pouco habitual em Portugal e que, como todas as boas práticas, merece ser reconhecida e valorizada.

Quem intervém na área social sabe que as tão proclamadas parcerias (Rede Social, Comissões de Protecção, entre outras…) são propostas interessante e práticas esquecidas. Contudo, tive a oportunidade de conhecer na prática a utilização dessas parcerias. Motivadas pela participação na Rede Social, um conjunto de instituições resolveram reunir periodicamente, aproveitando os recursos disponíveis para trocar informações, discutir casos e processos, promovendo e organizando (como foi o caso da referida conferência) actividades várias.

Tal prática valoriza os recursos humanos disponíveis, de uma forma que o escassos recursos económicos destas instituições impediria sem esta articulação. Deixo aqui este exemplo de boas práticas que deveria ser alargada a todas as áreas e a todo o país, mas que (não poucas vezes) os presidentes das instituições teimam em não seguir, desaproveitando o que positivo lhes traria, colocando os seus próprios interesses pessoais acima dos interesses daqueles que devem servir.

Fica, acima de tudo, o exemplo e o meu aplauso…


Texto de Miguel Ângelo F. M. Valério


Sem título

Onde te escondes braga?


Na rua da sé, nos recantos da cividade,

Entre gente minhota, e povo de lá do Marão,

nos jardins de santa bárbara floridos com ordeiros beatos

ou no verão da minha saudade?

Eu queria era ver-te mulher,

Possuir-te nas entradas orvalhadas dos meus sonhos

Repetir o teu nome em sussurros de verdade escondida

Nos meus dedos que te tocam


Onde te escondes braga?


Naquela universidade, naquela igreja,

No dia nascente da colina do bom Jesus, ou no escuro

Destes bairros apodrecidos pela mão dura e pela pedra

Ou no inverno das horas passadas?

Eu queria era ver-te assim despida,

Lavar a cara com a espuma do rio e recordar

na memória dos teus olhos a doçura do paladar,

entranhando-me do teu perfume.


Onde te escondes braga?


Texto de Fernando Pessoa


Rivalidade

Conta-se que a rivalidade entre Guimarães e Braga remonta a tempos imemoriais. Reza a lenda que houve quem quem com ela tentasse acabar, semeando flores, ao longo da estrada que separava as duas cidades, que acabariam por murchar e morrer.

Já escrevi que o norte só será capaz de se desenvolver e de se tornar uma região económica e socialmente atractiva, quando quebrar com as rivalidades próprias de um bairrismo retrógrado. O Concelho de Guimarães não tem que “rivalizar”, com o de Braga. A inteligência dos nossos agentes políticos ver-se-á na capacidade destes apontarem estratégias de complementaridade, entre si, e não estratégias de concorrência.

Por serem cidades completamente diferentes Braga e Guimarães são o complemento prefeito para formarem uma grande metrópole. Braga é hoje uma grande cidade de serviços, comércio, escritórios. Ao invés Guimarães é uma cidade de Lazer, em fase de readaptação do seu tecido económico e produtivo até agora assente na mão-de-obra intensiva e barata. Neste sentido, projectos como a Universidade do Minho, repartidos por ambas as cidades, são um bom exemplo de que a cooperação tem sucesso garantido. Hoje muitos jovens afluíram a estas cidades, e contribuem para um mimetismo das rivalidades latentes.

Como minhoto sinto pena que estes projectos não se tenham reproduzido, a outros domínios, principalmente ao do projecto político e administrativo da divisão do território. Está bom de ver que as GAM’s não funcionam e que o NÃO há regionalização de 1998 foi mais um factor contra o desenvolvimento das Regiões e do norte em particular. No entanto, não basta dividir o território. É preciso dotá-lo de competências, e de meios para efectivar as competências. Assim o espero!

Texto de Luís Soares

Braga, a quanto vaticínio me obrigas

Braga, cidade predominante no Minho, é a cidade, não de, mas dos paradoxos. Está no seu orto e crescimento, nos edifícios, nas ruas, nas pedras, em suma: nas suas gentes. Ao longo da História o Minho centrou-se em Braga e Braga descentrou-se no Minho, e continua, presentemente, a auferir deste contraditório.

É no espírito anímico se vinca a particularidade desta terra. Seres conservadores e tradicionalistas que encaram, explicita e implicitamente, o viver bracarense e/ou minhoto como forma de estar e impor. Nos dias que correm, os pensares mais extremos e conservadores ameaçam elevar-se. São tempos de crise, crise de consciência e de material. Profícuo tempo, o de hoje, para, como no passado, em Braga, insurgir uma revolta que desafie a mudança de atitudes e de valores, mas há, nesta terra, sempre quem grite, barafuste e renegue a secular imposição dos ideais e valores.

Os urros já se ouvem, melhor, já se lêem. Basta folhear certos artigos, de certos jornais da Região, de certos indivíduos e colectivos, para sentirmos o ressabiar típico de quem não aprecia as causas humanistas e desconfie do progresso e desenvolvimento inerente à equidade e liberdade. Assentes que estão na liturgia e nos ditames do conservadorismo, rebelam-se contra as correntes da mudança de qualquer ideal ou atitude que desafie o que nos está imposto.

Braga, sítio do contraditório, irá perdurar. Os que a desafiam são aqueles que a querem preservar como esteve e como está. O apre do odor a incenso empesta as suas palavras e o conservadorismo bafiento as suas atitudes. O definhamento anímico sempre esteve ligado ao situacionismo. Rompei as "amarras" e gritai, porque o tempo do insurreição conservadora está a chegar.

Texto de Marco Gomes

Olhar sobre Braga

Se eu te dissesse que acredito no destino, que me responderias? Não gosto de afirmá-lo assim porque sei que, por esta altura, o significado corrente desta palavra anda pelas ruas da amargura. Pensa mais num esquema gigantesco em que tudo acontece por uma razão lógica, resultado de todas as nossas acções. Se tudo tem uma razão de existir, um significado faz sentido pensar nos detalhes, nos pormenores, nos mais pequenos e insignificantes acontecimentos e mesmo na sorte, como uma parte do jogo. Olha o nosso caso. Ainda me lembro, e como me aperta o coração recordar, da última tarde antes de te conhecer. Sentado no chão do quarto que me vira crescer fixei a cama submersa de roupa, de tal forma que não distinguia a cor do lençol. Aquele olhar fixo para não juntar as pálpebras, sabes? O dia aguardado tinha chegado rápido demais. Assustado e invadido de dúvidas, pensava se o que estava prestes a acontecer fazia sentido, se tinha sido a melhor opção. As lágrimas que a minha mãe escondia para me tentar entusiasmar, a quantidade de tralha que levava comigo, a tristeza de partir. Abandonar a casa dos pais. Não sei porque te escolhi, se te tinha visto uma vez quando ainda não tinha idade para me lembrar foi muito. Ainda hoje, quando confrontado, não consigo apresentar um motivo convincente.

A verdade é que cheguei, sozinho, e não me desiludiste. Admito que seja fácil entusiasmarmos por ti, tu facilitas. No início, durante aquela lua-de-mel, só conseguia pensar que encontrei a minha perfeição. Tudo o que via em ti fazia sentido, completava-me. Os fins-de-semana deixaram de ser ponto de retorno à casa partida, pois a tua companhia era mais apetecível. Desigualaste a luta e aniquilaste a competição. Passaste a ser o meu eixo de gravitação, negligenciei tudo o resto. Ilusão de quem se apaixona. Aqui entre nós, confesso as saudades do que sentia nessa altura, da vontade, do querer. Acho que ficámos cegos. Nada mais ao nosso redor interessava. Como era bom pensar que nos bastávamos um ao outro. Gostava de voltar a senti-lo. A intensidade, o fervor, a alegria. Era tudo tão novo, tão diferente.

E sem aviso prévio, surgem os primeiros defeitos no mar de virtudes. Isto não me agrada. Não eras assim. Mudaste. Quando na verdade o que mudou foi a lente. Dizem que não existe realidade, que é um processo de percepção subjectiva. O estímulo é sempre o mesmo, a nossa forma de o interpretar é que muda consoante as nossas experiências e expectativas. Subscrevo. E assim morreu a beleza da perfeição, a fantasia. Nasceram as dúvidas, perdeste o lugar de única, desenharam-se alternativas, porque afinal já não és a resposta, mas sim a fonte dos meus problemas. Sei que também sentiste o vento da mudança. E então que fazemos? Abandonar o barco nunca fez o meu género, maior parte das vezes por teimosia. Acho que desperdiçar tudo o que vivemos até agora não faz muito sentido, até porque recomeçar é um processo manhoso e para o qual já não tenho paciência. Tens os teus defeitos. Agora já os conheço. Podes ter a certeza que vou continuar a tentar mudá-los, mas terei que me habituar a viver com eles. Sei que a tua ausência magoa-me e a tua rudeza entristece-me. Gosto de descansar em ti e sentir o teu silêncio. Reconheço as tuas avenidas, sei o que me espera quando dobro uma esquina, já palmilhei as tuas ruas, escondi-me nos teus becos. Andei por ti sem sentido, à procura de algo que sempre soubeste oferecer. Foste sempre tu, nos bons e nos maus momentos. Partilhas-te as minhas maiores conquistas e derrotas. Reconheço de olhos fechados as tuas paredes, os teus cheiros. Adoro contemplar-te de um lugar alto que não deixa de ser teu. Serás sempre lindíssima, tanto húmida pela chuva, como seca pelo calor.

Aprendizagem, choque, adaptação, diferenças ou simplesmente namoro, chama-lhe o que quiseres. Mas a nossa relação é assim, uma descoberta, um desafio. Já não somos inocentes como quando começámos, sabemos que nenhum de nós é perfeito. Já não sentimos o arrebatamento. Tudo se transformou em hábito, em certezas. Cansa? Concordo. Não é fácil perceber-te, compreender os teus ritmos e humores. Mas quero conhecer-te, aceitar-te tal como és, porque afinal…foste a escolha que fizemos.

MOTIVOS NÃO FALTAM...



Há cerca de duas semanas, o Eng. Mesquita Machado conseguiu com que se eliminasse um "cancro" que há muito afectava o concelho de Braga, desde já elogio o trabalho do Presidente de Câmara, só peca por tardio, mas resolveu-se um, mas fica outro "cancro" por resolver e esse não está à entrada de Braga, mas sim em pleno Centro da cidade, esse cancro dá por nome de Central de Camionagem, Central de Camionagem essa que tem autocarros apinhados uns em cima dos outros, que tem umas casas de banho de terceiro mundo, não tem salas de espera dignas, acessos acanhados, parques de estacionamentos em que tem de se dar a "moedinha" ao toxicodependente ou ao sem abrigo que lá se encontra, ou seja as pessoas que se deslocam de todo o país para visitar, trabalhar ou estudar, ficam com uma "bela" imagem da cidade, pena que não tenham incluído a construção duma nova C.C., na tal parceria Público - Privada, o local da mesma poderia ser na periferia da cidade, com bons acessos, desde que não faltassem transportes para deslocar os passageiros para o centro da cidade e vice-versa, fica a ideia à espera de ser concretizada.

Texto de Sérgio Gonçalves

Braga, Cidade Grande

Braga cidade de contrastes, moderna, conservadora, ateia e ultra-católica. Braga da juventude da dança e da música, da diversão e do engate. Clube Le Prive, 84 ou dancetaria do Rechicho. Eram 30 Km de puro prazer de viajar e divertir, tempos 80´s inesquecíveis, amizades, camaradagens muitas terminadas.

O cinema de diversão norte-americano, por vezes com obras-primas, “Silêncio dos Inocentes”, filme desconcertante que punha os espectadores a discutir no intervalo, a “coisa”, exemplo que só assisti em Crash. Acontecia na Avenida.

Avenida da Liberdade.

Teatro Circo do Cinema a sério à semana sem espectadores no horário das 17:30h, de Manoel de Oliveira, João César Monteiro ou Todd Haynes, inesquecível.

Braga do futebol, como era bom e bonito assistir ao Belém no 28 de Maio, poucos, mas bons. Sem guerras ou rivalidades pequenas. Num campeonato de 86/87, quinta vitória seguida e um Belém bracarense subia com uma enorme bandeira da Cruz de Cristo na Avenida. Lindo.

Tristezas e sofrimento durante meses no Hospital S.Marcos. Onde fui muito bem (quase todos, e muito mal tratado, poucos), onde cheguei a ver o fundo do túnel e ressuscitei ao 3º dia. E aqui estou.

Braga cidade onde trabalhei e recordarei os bons e maus momentos duma vida que espero se prolongue onde os limites serão aqueles que o nosso Deus quiser.


Texto de José Manuel Faria

Braga – Uma Aldeia Grande

A conhecida expressão"mais velho que a Sé de Braga" permite-nos identificar os dois principais traços identitários que sobressaem da análise monográfica. a "velha, muito considerada e antiquíssima cidade de Braga" é, primeiro que tudo, representada como uma cidade histórica. a omnipresente vetustez bracarense apresenta-se como o paradigma da antiguidade portuguesa(...) Por outro lado, é uma cidade histórica marcada pela religiosidade desde que em meados do século XI se tornou a terra dos arcebispos, denominados "Senhores de Braga"

Mas a Braga que, nos princípios da última metade do século XIX era uma cidade provinciana, praticamente isolada, sofreu, por essa altura, o abanão do progresso. As estradas que a puseram em contacto com o Alto Minho, o litoral nortenho, as cidades transmontanas e o Porto desenvolveram subitamente o comércio e a indústria, difundindo assim uma nova imagem da cidade que vai ganhando terreno à imagem da cidade histórica e religiosa. Este confronto de imagens é também um confronto entre velhos e novos símbolos em que os primeiros vão perdendo visibilidade em relação aos segundos. A evolução recente de Braga revela, aliás, que não há modernização urbana sem a imposição de novas marcas simbólicas. (...) A Braga moderna, comercial e industrial, é simbolicamente representada pelos têxteis, as confecções e a construção civil (...)e é este crescimento urbano que se constitui como um dos seus traços identitários mais recentes e marcantes.

...uma das imagens mais negativas da cidade resulta deste crescimento urbano recente. Outra imagem negativa da cidade presente nas monografias históricas advém-lhe das características dos seus habitantes, algumas vezes acusados de se consagrarem excessivamente ao luxo e às suas vidas privadas e de não serem coesos nem se identificarem à cidade.

[Carlos Fortuna e Paulo Peixoto]

Este texto acima transcrito mostra-nos a transformação identitária da cidade de Braga, desde a sua antiguidade à sua modernidade.

Contudo, concentrar-me-ei essencialmente na Braga actual.

Na instituição onde estagiei, tinha um terapeuta de Braga que me dizia constantemente: “Braga não é uma cidade, Braga é uma aldeia grande!”

Em parte estou de acordo com ele. Vivi cinco anos em Braga que me foram suficientes para com o meu olhar sociológico observar a estruturação da cidade e os comportamentos sociais dos seus habitantes. Senão vejamos: embora Braga tenha assistido a uma urbanização recente, essa urbanização parece um tanto ao quanto brusca, repentina, sem ordenamento e sem que as pessoas tenham tido tempo para adaptar-se convenientemente à mudança. Muitas pessoas continuam com um modo de vida pouco citadino. Em Braga as pessoas conhecem-se, ainda estabelecem relações de vizinhança e de familiaridade. Observava isso quando passava nas ruas, pelas casas, observava isso nas paragens de autocarro e nas minhas digressões nos próprios autocarros. As pessoas metem conversa nos autocarros, falam de si e das suas vidas, dos momentos agradáveis e desagradáveis. Talvez e parte se deva à religiosidade ainda muito incutida nos habitantes desta cidade, levando a que existam estas relações de proximidade.

Contudo, denote-se que este tipo de comportamentos é quase inexistente em cidades como Lisboa, Porto e outras, onde predominam relações de superficialidade e distanciamento. Braga é, assim, uma cidade acolhedora, agradável de se viver! Poder-se-á dizer que há em Braga uma sociabilidade afinitária/electiva, ou seja, uma sociabilidade voluntária em que as pessoas se relacionam com afinidade.

Não obstante, considero Braga uma cidade de contrastes: por um lado, um grupo com elevado capital económico e capital cultural, por outro lado outro grupo onde ambos os capitais escasseiam. Deparamo-nos ainda com uma população pouco escolarizada e formada, trabalhando no sector primário e secundário, e outra classe emergente a trabalhar nos serviços.

Por um lado, estamos perante uma classe intelectual e mesmo abastada que vivem em casas de luxo. Por outro, Braga é caracterizada por ser uma cidade de ciganos que, não raro, vivem em condições de extrema precariedade e ostracismo, e toxicodependentes em condições de vida também elas precárias e degradantes.

Destacaria ainda o seguinte como acima citado: os bracarenses são algumas vezes acusados de se consagrarem excessivamente ao luxo e às suas vidas privadas e de não serem coesos nem se identificarem à cidade. Vê-se isto em relação à cidade e se calhar em relação ao clube de futebol. Os bracarenses querem ser urbanos à pressa perdendo assim uma espécie de bairrismo que poderia tornar a cidade mais coesa assim como aos seus habitantes.

Gostaria de acrescentar apenas mais um aspecto: Braga parece-me uma cidade sazonal que vive à mercê dos estudantes universitários, ou seja, durante o calendário escolar a cidade vive efervescência e dinamismo nas suas ruas. Pelo contrário, no Verão a cidade sofre um esvaziamento nas ruas, nos bares, no comércio, na cultura. A cidade parece que pára em época estival. Também os seus habitantes vão em direcção a outros destinos.

Por estas e por outras, Braga é uma aldeia grande!


Texto de Helena Antunes.

Olhares sobre Braga: um último esclarecimento


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