O que é a identidade minhota? Como não sou minhoto, não saberei (pelo menos congenitamente) mas posso tentar saber. Ora, se esta condição (a tal identidade minhota) implica conflitos e estes sejam entre Guimarães e Braga (impressão minha ou centralizam em demasia o Minho nestas duas cidades), eu, humilde observador de quezílias minhotas, nada poderei dizer.
O que poderei ou tentarei dizer é: que a pessoa(?) minhota, em regra, pela sua herança cultural, religiosa e social deriva num beato e irascível ser. Prontos, generalizei um pouco mas penso que está bem retratada aqui a identidade de minhoto típico. (Pelo menos o que depreendi pela questão). Quanto aos minifúndios minhotos, poderia aqui descrever o quanto o Salazar e o seu dirigismo económico prejudicou estes, mas como poderia "insultar" a ideologia de alguém e divergir da questão posta pelo João fico por aqui.
Teremos nós de abdicar da nossa identidade minhota para superar os desafios do séc. XXI? Quem possuir a "típica" identidade minhota (beata e irascível) mais vale trocá-la, arrisca-se, numa evolução típica e natural de uma sociedade sã, a ser um perigoso outsider e assim se tornar num pauzinho na engrenagem do desenvolvimento físico e social desta Região.
Para finalizar uma afirmação à capital da nossa "região" e a relação dela com a diversidade minhota: Braga reúne um pouco de todo o Minho e todo o Minho tem um pouco de Braga. Valete fratres, foi um prazer.
O Minho tem várias condições para se afirmar como uma região dinâmica e de excelência no panorama Ibérico. As más apostas e a centralidade do regime tem dado cabo das prerrogativas quase congénitas desta Região. As vias de comunicação são extremamente importantes na dinâmica de uma Região. Mais importantes são na economia desta. O que se passou com a rarefacção da linha férrea desta região em troca de estradas, muitas delas de qualidade bastante questionável, é exemplo a não seguir. Quanto ao TGV. Uma falácia quando falam em trazer competitividade e dinamismo ao Minho (isto tendo em consideração que o fabuloso plano passe pelo Minho).
É uma região com elevada taxa de população jovem. Têm uma universidade de excelência no plano nacional. O Minho já começa a apostar naquilo que se poderá se evidenciar no âmbito económico, note-se o incremento de parques tecnológicos e empresas do ramo da informática a instalarem-se na Região. A agricultura e o artesanato local é algo que o Minho, na sua especificidade cultural, deve apostar. Claro que é preciso acabar com o paradigma económico que ainda singra na Região: indústrias de transformação (pouco competitivas) e baseadas em salários baixos e, normalmente, com uma gestão gananciosa e pouco habilitada. Os resultados estão bem visíveis.
Guimarães como capital europeia da cultura tem um valor simbólico. Nada mais. Pouco mudará o nível cultural da cidade se não forem feitas mudanças radicais na criação de públicos e hábitos culturais. E isso, é um problema do nosso sistema de ensino.
Penso que as infra-estruturas regionais serão suficientes. Quanto às estruturas culturais locais, é outra história. Vale apostar nos conteúdos. Eclécticos e também generalistas (democratização da oferta cultural). É necessário, também, implementar a noção da cultura como algo essencial. Por isso, praticar um regime de preços em congruência com o rendimento médio nacional e não o contrário, isto nas dependências culturais sobre a tutela do Estado, isto é, sobre a tutela de nós todos.
O "protocolo do quadrilátero", e outros como tais, são, na minha opinião, uma resposta ao "centralismo" que grassa no nosso País. Ora, se tudo corresse bem, isto é, a organização política-administrativa que vigora actualmente no nosso país fosse competente e abrangente nem estaríamos aqui a pôr em causa o sistema actual nem os concelhos se agrupavam em estruturas que escapam ao modelo político-administrativo actual.
É necessário descentralizar. Será que a Regionalização é a panaceia para todos os males do Minho? Não. Nem vamos por aí, pois não há mal que sempre dure nem cura que sempre cure.
As consequências do centralismo podem se visualizar a partir de qualquer qualquer recanto minhoto. Poderão dizer que o problema não é o sistema político-administrativo actual mas sim de quem governa e quem põe em prática o "sistema". Mas também diziam o mesmo sobre o sistema comunista da antiga URSS. Como dirão também os neoliberais sobre a crise actual e a falência do seu sistema e falácia em que se tornou a sua filosofia. Não. O sistema administrativo está em falência técnica. Provas não faltam. É necessário uma reforma administrativa que corrija e anule os problemas do centralismo. Para isso só vejo uma forma: dar o poder da decisão política às estruturas regionais a criar. Embora a forma como implementar e como irá vigorar uma possível Regionalização esteja por se discutir, para mim, é inegável que o sistema actual está falido e é necessário mudá-lo.Por isso, o futuro terá que passar por onde o outro sistema falhou, isto é, pela Regionalização.