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Um poste que podia muito bem não existir

1- O Sporting de Paulo Bento continua a sua caminhada. O Rochemback lesionou-se ao apertar as chuteiras. O Grimi foi ao levantar-se do banco. O Romagnoli coçou bem a cabeça, principalmente aos 87 minutos. O Pedro Silva lesionou-se porque teve que correr. O Abel continua a jogar, pese embora o Sindicato dos Jogadores lhe tenha retirado a licença. E fez mais um penalti. O Rui Patrício continua a tentar passar 3 jogos sem dar um paio. Os órfãos de Nani, vulgo Veloso e Dajló, estiveram bem dentro daquilo que deus nosso senhor lhes permite.

2- Ouvi mais conferência de imprensa do Jesus. Não o judeu. O do SCBraga.

3- César Peixoto na selecção. Aqui está algo só possível nos tempos do "Rogério Matias na selecção", ou do "Luís Loureiro na selecção", ou ainda do "Vinha na selecção".

4- Comi uma francesinha da Dieci. Chegou a casa toda desfeita. Mas era razoável. Se bem que eu estava cheio de fome.

5- Fui agora mesmo confrontado com isto: «escrevo porque gosto de ver gente a ler. as escolhas pouco importam. é como dizia o miguel esteves cardoso (mec) (revista ler de novembro, pp. 35, vão lá verificar), "[...] toda a gente tem o direito de ler." e se são best sellers, perguntam vocês e muito bem? o mec responde assim "Os livros são uma merda? Sim, são uma merda para quem gosta de livros bons." (e agora dr. etc? o mestre falou e a coisa piorou para o teu lado)» Em primeiro lugar, devo esclarecer que é difícil as coisas piorarem ainda mais para o meu lado. Se for para baixo de mim, ainda admito, agora para o meu lado, não! Iremos por partes. Não que eu tenha muito tempo. Mas também não preciso de almoçar. Eu não gosto de ver gente a ler. Quer dizer, não gosto nem gosto. Caguei e andei. Aliás, tanto me dá como me deu o que cada um faz com o seu tempo. Não creio ter nenhum capital de autoridade sobre o que cada um faz. Não gosto nem gosto de ver pessoas no cinema. Ou nos bancos do jardim. Ou a passear na praia. Gostar, gosto de batatas fritas. E de gajas. E do Sporting. Mas admitindo ainda que num cenário distante e hipotético que sou um bruto insensível, cujos instantes não são de todo aconselháveis, devo dizer que mesmo assim as escolhas importam, obviamente. Importam? Claro que importam! Não importam nada! Importam! Não importam! Importam! Não importam! Importam! Não importam! Importam! Não importam! Importam! Não importam! Importam! Não importam! Importam! Não importam! And so on... Felizmente, não estamos em política. Importam! Eu é que fico com a última palavra, se faz favor. Agora surge o argumento. Em que medida é que importa? Numa medida grossa, densa e grande. Ó Etc., estás a falar de livros, pá! Ah, desculpem... Portanto, todos nós anuímos à ideia de que ler não será exactamente o mesmo que, por exemplo, coçar o joelho. Ou a cabeça. Concordamos todos, meninos? Sim? Óptimo! Cada um lerá por motivos diferentes. Com objectivos diferentes. Com métodos diferentes. Com motivações diferentes. A grande questão que se coloca está directamente relacionada com aquilo que se lê. Por exemplo, eu leio muito lixo. Record, A Bola, DN, algumas revistas ao fim-de-semana, legendas de filmes que não valem um chavelho, receitas, manuais de instruções, blogues, etc., etc., etc.. Reservo para a secção do lixo livreiro estas coisas. Funciono assim. Quanto ao resto, são apenas tentativas inversas de perder alguns instantes. Ou o Instante. A grande diferença está em que os livros de cordel são sósias do nada. Rien. Shit. Niente. Eu leio para me alienar, para me confundir com a realidade. Para obscurecer o meu relacionamento profundo com a realidade. Ah, ó Etc., mas há gente que o faz com os livros da Rebelo Pinto. Ok, tudo bem! Mas para isso é que existem instituições de sanidade mental, não é? Há quem leia livros pela cor da capa, pelo número de folhas, pelo autor, pelo título. É justo. Lêem livros. Não se perdem na queda da literatura. Essa é a diferença. Ser tocado pela leveza do sonho e pela potência do excesso que nos desfaz. Isto é literatura. Figurar (n)o infigurável. Já dizia Sá-Carneiro que bela é a manhã tão forte que nos anoitece. Literatura é isto. O intérmino da presença do homem em si mesmo, límpido, bruto com o mais puro diamante. Sim, porque nós seremos sempre uma esfinge que é a nossa própria sombra. Uma espécie de coração de todas as coisas, na mais distante esfera. E, por isso, é que ler dificilmente pode ser um exercício de prazer primário. De passatempo. Uma lerpa para letrados. Um momento de convívio animalesco. Ler será sempre uma fantástica realidade a criar-se em absurda proximidade ao esforço intelectual. Por muito que não o queiramos. Ler é uma contaminação violenta, um abalo elementar na nossa morte. Ler é o mais fiel espelho de uma duplicação quase impossível. Uma fascinação intemporal que nos arrasa, que nos transmuta para a eterna "imobilidade imóvel" que Aristóteles concebeu. E será sempre neste gritante silêncio que a literatura clamará. Nunca por outros canais. Porque a literatura só nos será realmente próxima quando a tivermos como realmente inacessível. Com a saudade de Pascoaes. Por último, convém referir que best-seller e livros de merda não são obviamente sinónimos. Creio nunca o ter dito. Não tenho de todo esse preconceito. Há exemplos vários: O que diz Molero, é desses um dos mais notáveis. Uma outra questão seria tentar perceber quantas pessoas leram até ao fim, por exemplo, os livros de Saramago e de Lobo Antunes que compraram por altura do Natal...? Cinco por cento? E desses cinco por cento, quantos é que tiveram a disposição anímica e a complacência de partilhar verdadeiramente consigo mesmos o enraizamento desses instantes? Pouquíssimos! Porque a literatura é na verdade exangue o suficiente para nos cercar na nossa própria inacessibilidade. Mas como já disse anteriormente, posso ser eu que estou a ficar lélé!

Nistagmus*: "que o teu olho seja a coisa olhada"

A minha natureza frívola impede-me de reflectir sobre os desígnios de um país que, em menos de um piscar de olhos, passou a contar com um presidente (e um primeiro-ministro, já agora) tão rígido como a mala Dunhill que lhe ofereceu a Srª D. Cavaco Silva pelo aniversário (a piada nem é minha, é dos jornalistas da Visão, logo não é uma piada). Assim, penitenciando-me fortemente, proponho: a partir de agora, encetarei um tom sério e circunspecto com que devo prendar os leitores. Falarei de política (e também do BE), de geo-estratégia, de relações bilaterais, do Chavéz, da GALP e do desarmamento do Irão. Lerei, com periodicidade que em devido tempo definirei, todos os hebdomadários de referência, nacionais e internacionais. Escreverei sobre Cesar Pavese, esse notável ensaísta e romancista, tão fortemente inspirador do escol nacional. Regarei com linques abundantes e referências comentadas aos ditos de outros blogues. Eu quero fazer deste blogue um blogue sério. O país precisa de nós. Melhor: o país precisa de mim. Melhor: a europa precisa de mim. Melhor: o mundo precisa de mim. Melhor: a Isabel Figueira precisa de mim. Depois decido se me devo alistar nas Forças Armadas (e só não vou para o MFA porque já foi extinto).

* ou a propósito de este blogue andar a ser citado nos jornais regionais

"Phoda-se"!

Segundo me disseram, já não sei quem mas foi alguém importante no preciso momento em que me contava o que aqui vou narrar, os CTT vão lançar uma rede de telefones móveis. A coisa chama-se Phone-ix.

No plano comercial, vai uma salva de palmas para os criativos (clap, clap, clap), já no plano fonético vai um pedaço de tudo o que faz o Castelo Branco sorrir para os lorpas que inventaram o étimo fónix que é, obviamente, a origem de tão brilhante termo.

Ora, a nossa geração com açúcar, já de si bué da totil a dominar a cena, ganha assim mais uma acha no fomento do tuguês. E é axim, 'tou a kumentar pk hoj n tenhu k faxer e dexixi xatear td o ppl k paxa poraki.

Tá-se. Fiquem!

Como barrar tulicreme sem ficar com os dedos todos "coisos" ou a gaja do Dr. House não ficava nada mal numa cama que cá sei!

Hoje sonhei que estava debaixo da terra. Debaixo da terra mas sem estar morto. Para quem já sonhou que andava a ser perseguido pela Rita Andrade em topless, este sonho foi uma espécie de Luisão dos sonhos: não foi mau, mas há muito melhores! Sonhei que se abrira um buraco no solo e eu entrava lá e vivia no subsolo. Até aqui tudo normal. Sim, nos sonhos tudo é normal. Não há as contingências da trivial life, nem os gajos da Polícia Municipal a foderem-me o juízo por estar estacionado em cima das raias. Foi um sonho como outro qualquer. Eu entrava no subsolo e, para além do Rui Unas a representar muito bem o papel de Rui Unas, não estava lá mais ninguém. Acordei e lembrava-me do sonho quase todo. Nem no sonho da Rita Andrade me lembrei tão bem dos pormenores como neste. Aliás, durante esse sonho, não fosse a mancha que tinha nas cuecas ao acordar, e teria tido alguma dificuldade em lembrar-me com o que sonhara.

Dizia eu, acordei e lembrava-me de tudo. Mas o pior foi ao acordar ter a sensação de que estava equidistante de tudo e todos. Vivia sozinho no subsolo com o Rui Unas a fazer de Rui Unas. Eu, tendencioso, gosto dos declives e contrastes fortes. Não gosto de pensar nas coisas devidamente arrumadas para que, quando nos debruçamos a perceber o que se passa, possamos facilmente encontrar a prateleira certa. Ainda na mesma direcção, nunca senti a necessidade de pertencer a alguma coisa. Mas todos pertencemos a qualquer coisa. Não pertencer causa angústia, mas também liberta. O dilema é este.

Eu gostava de estar sempre rodeado das pessoas e coisas de que gosto. Eu gostava que me deixassem em paz e não tirassem do meu canto para o resto da vida. A ter que escolher, e a puta da vida não é mais do isto, vou pela primeira e poupo trabalho à Ceifeira. Apesar desta escolha, suspeito que nunca o vou conseguir na totalidade. Passamos os dias a separarmo-nos de partes importantes da nossa vida. Criança que sou, faço birra e ainda não compreendo o porquê de não podermos estar sempre com junto de tudo o que queremos. Tudo mesmo, mesmo, mesmo tudo.

Por isso, em desespero, faço promessas de eternidade, juras de companheirismo ad eternum. Deste modo, mantenho uma porta aberta a todos os possíveis regressos. Este jogo é intrincado. É fodido virar costas depois de olhar o mais fundo e recôndito segredo duns olhos que enganámos com um laivo de esperança que não conhecemos.

Bem digo que o mundo está perdido

e, vejo agora, que o Markl concorda. Melhor, eu concordo com ele.

A melhor caixa de comentários do mundo e quiçá do fontes do ídolo.

Actor principal: hc.

Actores secundários: Etcétera (no papel de mau da fita), Marco Gomes (o vilão que concordou com o Etcétera) e um anónimo (no papel de uma pessoa extremamente esclarecida).

Enredo: Uma trama psicadélica entendida em profundidade ontológica sobre o seio da transcendência e concomitantemente sobre o supremo afastamento da realidade.

Cenário: Um comentário mal recebido. Um fundo azul em louváveis e puritanos tons brancos: o fontes do ídolo.

Ora, começou assim:

Marco Gomes disse...
Concordo, percebo a tua quarentena. Também estou num estado de privação de tais conversas, mas um pouco mais longa do que uma quarentena.
Prolixas, são estas gladiações insensatas, narcísicas, púberes, sem objectividade, que só servem para encher até à rolha o ego de quem as pratica.

19/9/07 11:07 PM
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Dr. Etcétera disse...

"encher até à rolha", gostei e já me ri.

20/9/07 12:06 AM
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HC disse...

A entrada na universidade é para muitos o resultado de esforço e dedicação de três anos. Representa, por vezes, mais uma batalha vencida nesta guerra de "notas". Porque não as mostrar?? Esta "quarentena" de que falam representa um isolamento total com a realidade e QUEM NÃO DEVE NADA PARA CONSIGO MESMO, não teme, não foje!!

P.S: QUANDO AS REALIDADES NOS SÃO REPULSIVAS E QUANDO FALAMOS DELAS COM DESPREZO É PORQUE VIMOS NELAS TUDO O QUE QUEREMOS MAS NÃO CONSEGUIMOS ALCANÇAR.

21/9/07 5:28 PM
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Dr. Etcétera disse...

Amigo/a hc, ia - juro que ia - responder-te à letra, mas depois reparei que escreveste "foje" e perdi a pica toda...

21/9/07 6:03 PM
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hc disse...

perante a tua resposta tão pouco significativa, consegui perceber que a tua quarentena é apenas ficticia... tu não te isolas, as pessoas é que se afastam de ti por seres tão "picuinhas". se um erro ortográfico te incomoda tanto para responder e defender uma ideia tua, não me adimira que as pessoas se afastam de ti. estou mesmo a imaginar um discurso teu, cheio de criticas e completamente desumano.

Só mais uma coisa: errar é absolutamente humano... (tive necessidade de o escrever para que o soubesses).

22/9/07 9:32 AM
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Dr. Etcétera disse...

"Errare humanum est, perseverare autem diabolicus"

A sério? A minha quarentena é fictícia? Não me digas... Eu a pensar que era uma verdade inquestionável, um dogma para uma qualquer seita, quando afinal é apenas um desvario metafórico... Obrigado, hc. Finalmente "mais luz" na minha vida...

De resto, tens razão, hc. Eu não sou humano, sou um cyborg vindo directamente do século XXXV. Um cyborg que gosta (muito) de discutir, mas apenas com quem ele quer e com quem o estimula. E, não, não é o teu caso. Queres um exemplo? Ok, eu perco 3 minutos do meu tempo contigo e depois já podes rebolar extasiado, qual Narciso reflectido na água, no chão do teu quarto...
Cá vai. O "P.S." que V.Exa se dignou a colocar no seu primeiro comentário é digno de um qualquer diálogo de surdos. Dizer que só desprezamos aquilo que não conseguimos alcançar é de bradar aos céus. Dou um exemplo pueril (tem de ser, não é hc?): se eu numa conversa mostrar desprezo por um assassino, estou, segundo o Lacan contemporâneo que dá pelo nome de hc, apenas a dizer que queria ter sido eu o homicida e que o invejo por ele ter tido a coragem que eu não tive, certo? I rest my case...

hc, lamento, mas ainda sou eu quem decide com quem converso. Mas a blogoesfera é um espaço amplo, quase infinito. Estou certo de que encontrarás, muito facilmente, algum sítio onde as tuas fascinantemente ocas reflexões obtenham respostas mais significativas do que aquelas que eu te consigo dar...

Vá, força nesses ossos.

P.S.- Já que tenho a fama de "picuinhas", nada melhor do que ficar com o proveito: hc, essa acentuação também não é o teu forte, pois não?

22/9/07 10:56 AM
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hc disse...

Se as minhas ditas "ocas reflexões" são assim tão insignificantes para o teu ego de "cyborg vindo directamente do século XXXV" porque te deste ao trabalho de me responder??

Escreves muito para não dizer nada...

22/9/07 11:29 AM
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Dr. Etcétera disse...

Tenho uma indelével faceta de Madre Teresa...

22/9/07 12:46 PM
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hc disse...

Fica com a tua indelével generosidade.

Quando a esmola vem de um pobre...

22/9/07 1:33 PM
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Anónimo disse...

hc o ditado é "quando a esmola é grande o pobre desconfia."

se a esmola vier de um pobre parece-me que seria um acto nobre e não algo criticável.

eu concordo com o etcétera e com o marco gomes. as notas são como as medalhas: servem para honrar uma atitude. e quem se pavoneia pelas atitudes que toma, não merece essas medalhas.

cumprimentos a todos

22/9/07 2:24 PM
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hc disse...

Caro anónimo, fica desde já assente que não me estava a referir ao ditado, nem coisa que se parecesse... mas já agora fica a minha opinião:nem tudo que vem dos pobres é louvável.

Inté

22/9/07 3:09 PM

ProntoS, terminou assim!

Digam lá, um verdadeiro mimo da anti-glosa, não? Atentem no nível de reflexão de hc, a destruição dos sentidos instaurados que ocupam os espaços que coabitam com o verdadeiro conhecimento - onde a musicalidade é interior e se transmite pelo silêncio -, a capacidade de exprimir a origem para depois criar uma ligação fundamental às coisas de onde brotam a renomeação e a desfiguração do sentido superficial da palavra: «nem tudo que vem dos pobres é louvável» hc dixit!

Quem é amigo, quem?

Eu é mais bolos...

Só para avisar que nunca li Aquilino Ribeiro. Mas, pela quantidade de confessos leitores que por estes dias se manifestaram, a editora e os herdeiros do senhor devem ter um fundo de maneio deveras imponente...

"A era do vazio"

O título do comentário foi roubado a um livro Gilles Lipovetsky. Vem na sequência desta notícia. Nunca entendi, e cada vez menos me esforço por o fazer, a necessidade de percorrer a vida em ziguezague, num quase mítico deambular ao sabor das convenções, modas e necessidades, deixando de parte o sentido de autoconsciência que deveria servir para nos elucidar com clareza neste penetrante itinerário, quase sempre fusco, e dificilmente superável, que é o percurso da Pessoa na Vida.

Parece-me que o mais importante será chegarmos ao fim - perdoem-me os crentes, mas o fim chega - e reconhecer nos múltiplices caminhos da nossa vida uma respiração unânime. Na vida, a cronologia é má conselheira. Inculca «evoluções» ou «involuções» lá onde precisamos de todo o sangue-frio para reconhecer a densidade e o peso que não são fruto obrigado do tempo - embora o possam acompanhar. E é essa a questão: por comodidade, vergar de espinha ou falta de carácter, seguiremos também o caminho mais fácil, aquele caminho cuja presença é indiferente para o nosso destino e à compreensão que nele está eclodida.

Não entendo a necessidade de justificarmos as nossas notas dissonantes perante o restante mundo de iguais. Mais impessoal do que esta estigmatização de um mundo cumprida através de metáforas bem pessoais - é óbvio que falo deste caso porque o sinto no meu dia-a-dia - mas gémeas de outras minhas contemporâneas é a realidade que nos ocupa os olhos, uma mistura de violência clássica e de delírio redentor que nos pede sempre moderação, comedimento e sobriedade.

A indumentária jamais será eco do brilhante segredo interior, onde libertamos todas as esperas desesperadas, jamais será o que irradia do núcleo interior do desejo, por exemplo. A indumentária é apenas glosa metafórica da, por vezes, penosa situação moral, intelectual e representa, quase sempre, o ressoar e o resumo das plurais misérias da nossa época. Apenas exijo que não nos deixemos ofuscar por alguns símbolos e reacções autómatas que parecem ainda suster uma pesada herança que a nossas viscerais imobilidade e inércia ajudam a alimentar.

No fundo, enquanto não despirmos a retórica da indumentária, continuaremos muito longe da pura afirmação.

Scolari dixit: «Um tapa eu sei o que dói»

Segundo apuramos, Drago e os seus advogados vão refutar a tese de Scolari apresentando a prova que passamos a mostrar.



Mc Naldinho, autor da famosa canção «Só um tapinha», será testemunha de Drago e defenderá a tese de que um tapinha não dói. É caso para perguntar: e agora Scolari?

Os murros mal dados, a Selecção, Scolari e meia-dúzia de coneiros. Ou o que achará Steiner desta merda toda?

Fico FODIDO! É o termo: FODIDO! Eis que, subitamente, TODOS somos uns puritanos escandalizados com um uppercut digno de uma criança birrenta de 5 anos. Até o Eiró a dar uns safanões no rabo do Cláudio Ramos lhe bate mais forte... Onde é que aquilo é um murro? Só quem nunca levou - ou, no meu caso, deu; sim, que eu sou grande pra caraças - um banano nas ventas é que diz que aquilo é um murro... Foda-se, nem a minha namorada, que é do tamanho de um estrunfe (mas bonita), bate assim... Sim, aquela merda foi o uppercut mais mal (sim, diz-se "mais mal" e não pior) dado que faria corar de vergonha Cus D'Amato, paizinho dos uppercuts e único domador do Tyson. Eis que, subitamente, TODOS falam de futebol: putas, passadores de receitas, paneleiros, filhos do pápá, analfabetos, Vasconcelos, engenheiros, barbudos carecas, jornalistas de causas... TODOS em gáudio, numa espécie de ejaculação colectiva no cuzinho do Scolari... Haja paciência para vos aturar, CONEIROS DO CARALHO!

Já dizia o Eça, esse grande vidente, que Portugal era um bom sítio para se fazer a folha... Aliás, dizia ele que não sabemos fazer mais nada, e o Scolari já tem a dele feita há algum tempo. Já desde do tempo em que pôs de lado o anão que usa restaurador Olex e o gajo português que tem o carro mais caro do mundo. Que se fodam esses dois - mais a ratazana do Figo e o Raul Meireles que não joga um corno -. Com eles nunca fomos a lado algum. Mais, o gajo do carro foi pioneiro nessa cena dos futebolistas arranjarem as sobrancelhas e só por isso merecia ter ido logo jogar para o Rebordosa para ver o que é bom para a tosse.

É neste ambiente que temos de viver, com os "conscientemente" humildes. Pacifistas de merda sempre a cantar mais alto do que a sua própria altura, sempre a dissimular a sua própria insolúvel contradição. Eu, que sou um diletante, e que não faço dos blogues - nem da vida - uma espécie de "ofício do mal-dizer", ofereço-me desarmado e gratuito, ainda que com uma indisputável dignidade, para mostrar essa "naturalidade" - que nem é desenvoltura por ser respiração poética genuína - de quem, no mais fundo de si, conhece o nada subjacente às honrarias sociais e se limita a aceitá-las como pão de boca e não de vida.

Atire a primeira pedra quem não conhecer a perspectiva de "boomerang". Nós pertencemos a um mundo dividido, contraditório, insalvável e, nessa medida, sem verdadeiro lugar para conices. O nosso grande mérito passa por não nos escondermos, descobrindo no mundo, ainda que por efracção, uma saída que, no seu íntimo, é tão aceitável e pertinente como outras que diplomaticamente se instituíram. E tirando dessa invisível e mortal ferida a muito humana luz - não estou a falar da cena religiosa, falo antes da luz do Gil Vicente - que nos fere, deslumbra e, por vezes, congrega.

Quem conhece o gajo?

O reverso de Teixeira dos Santos ou o esgoto que também passa por baixo das mais belas moradias.

“Toda a vivência humana remete para o meio, para as circunstâncias em que se desenvolve. O meio implica a relação do homem com a natureza e com os outros homens. Da relação entre os homens emergem normas ou signos que tornam possível essa relação e determinam o comportamento. A própria sociedade impõe essas normas e exerce repressão sobre aqueles que não as seguem.” - Agostinho de Jesus Ribeiro Ferreira

Quero declarar duas notas prévias. Primeira, o ministro em causa tem ainda uma quase ligação de laços familiares com este vosso escriba. Segunda, percebo muito pouco de finanças, economia e tudo o que envolva números, poupanças, acções, investimentos e todos aqueles termos terminados em –ing com que os bancos constantemente nos bombardeiam. Uma carta do banco que traga anexada algo mais do que o saldo contabilístico revela-se uma verdadeira missão de Ecdótica. Um laborioso ruminar de empenho filológico.

Agora que vos desvendei um pouco da minha vida privada, e que pela primeira vez comecei um comentário em tom intimista, posso dizer-vos que, não desgostando da personagem – nutro inclusive uma certa admiração pelo tom sempre coloquial, sereno e insulso das suas intervenções – não posso deixar de relacionar as medidas levadas a cabo por este senhor com as gravíssimas lacunas socio-económicas que flagelam ainda o nosso país, fustigando sempre os mesmos. Exacto. Sempre os mesmos. Os tais que saem derrotados da batalha. Qual batalha? Simples. Simplex, mesmo. A batalha para que o capitalismo (porra que estou a soar a camarada) nos instiga. Há quem perca. Muito. Sempre. Dizem-me que o Homem é a medida de todas as coisas e o trabalho a medida de todos os Homens. Talvez, seguindo um pouco a máxima de que tempo é dinheiro, mas só para quem o pode fazer. Acrescento eu. E há também quem não exiga a si próprio ser melhor do que outros.

A meu ver, todo este histerismo europeu, todos estes apontamentos competitivos, todas as notas de ligação estreita entre realização pessoal com sucesso profissional, devem-se ao facto de, em Portugal, estarmos a atravessar, novamente, dias em que o novo-riquismo e o ambiente filisteu da mais baixa extracção se erigiram em valores sensíveis e que certos sectores procuram apresentar como naturais e irrepreensíveis. Fará talvez sentido, então, sublinhar, uma vez mais, que o Homem não desfigurado, vertical e alheio às mundaneidades continua a ser um pólo de consciencialização, embora isso seja extremamente entravado pelo jogo intrincadamente societário de muitos sectores que, no país, procuram imitar em caricatura o que lá fora se faz com mais experiência, mais discernimento e até com certa lealdade, embora esta seja uma lealdade nefanda, uma vez que tenta fazer passar como exemplares, conseguindo-o frequentemente, ritos de massificação, propondo com certa argúcia os valores do precário, do aparente e do vazio pedante como questões fundamentais.

Como tal, e como já o advertira outro Teixeira, mas este de Pascoaes, quando, em antiglosa a Descartes, escreveu que “existir não é pensar, é ser lembrado”, é necessário apearmo-nos da azáfama continuada (o tão afamado modus vivendi hodierno) em que, consciente ou intencionalmente, nos insensibilizamos em relação às pessoas, aos livros, à arte, aturdidos, na expressão de Lipovetsky, pelo “traguique de la légèreté”. Torna-se imperativa uma recuperação do diastema, da pausa, capaz de nos brindar com a captação mais perfeita, ou menos imperfeita, da realidade. Longe daquela, como acontece nos relatórios do FMI, por cima dos quais a poeira dos números teima em estender o seu manto tão espesso.

Ainda acredito num mundo onde o medo, a miséria e a solidão não são os governantes. Ainda acredito num mundo onde o amor surge como denominador comum para o desenrolar da acção e como ponto convergente do pulsar de sentimentos. Contudo, não podemos abarcar neste amor o sentido corriqueiro que perfilha alguma da mais recente criação. Não falo aqui, por exemplo, da tendência sentimentalóide e malsã do amor telenovelesco, pornografia camuflada que corrompe e conspurca o sentido da palavra; falo aqui do amor que se (con)funde com a loucura e pretende despir o Homem dos seus subterfúgios e convenções. Um amor que obriga o homem a reconhecer o que existe no seu âmago através da linguagem.

É isso que nos falta. A linguagem. A palavra é respiração, por isso, movimento e repouso, ritmo e quietude, que nos toca, e contagia, e nos impele à apreensão do ritmo original do mundo e à sua respiração essencial. A palavra é sístole e diástole, contracção e distensão, o movimento ritmado do mundo.

"As máquinas, um dia, talvez venham a pensar. Mas nunca terão sonhos." Escreveu-se por cá. Também eu, tal como o marinheiro do conto de Herberto Helder, prefiro morrer e deixar o meu último suspiro ao mar.

Le Pen, Herberto Helder e o Criador ...


Jean Marie "a masturbação é que está a dar" Le Pen


O senhor Le Pen não perdoa. Li, na página 16, do Publico de hoje, que o inefável líder da extrema-direita francesa é contra a distribuição de preservativos nos colégios franceses defendendo que os jovens devem optar pela masturbação de forma a evitarem uma gravidez indesejada. Depois do sexo oral, a masturbação...

Lembrei-me de uma frase de um poema de Herberto Helder, «Até que Deus é destruído pelo extremo exercício da beleza». A continuarem assim, não demorará muito!

...


P.S.- Volto a todo o gás lá para quarta-feira!

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