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FPF aplica multa de 35 mil euros a Scolari

Uiiiiiiiiii!! Tanto...!
Chiu! Ninguém diga nada ao Zequinha!

Este poste é de intervenção cívica bracarense sobre as linhas de montagem das Fábricas das Sumidades e sobre um até já!

O disparate introdutório que é apanágio nos meus postes: Bom, bem, bom, uuuhhhmmm, bom, não sei começar. Ora, bom, deixa-me lá ver por onde posso começar! Já sei! Uma altura, numa aula de Inglês, na memorável ESCA - atenção, isto NÃO é um elogio. Por exemplo, memorável também se aplica ao Nuno Gomes, ao Bergessio, ao Taument, portanto memorável NÃO é um elogio! - e a "professora" pediu-nos para escrevermos uma composição sobre o ambiente familiar durante uma refeição. Basicamente, disse que me estava a cagar para as maneiras - como é óbvio, eu tinha a certeza que a minha mãe jamais leria aquilo, correcto? - e que deveríamos optar por estarmos o mais à vontade possível, evitando ainda assim arrotar, fazer barulho a comer a sopa - aquela cena do ssscccchhpppp - e, de preferência, a não mostrarmos ao restantes elementos a mistela dadaísta que tendemos a criar de cada vez que mastigamos. Respeitados estes ditames, estaríamos prontos para comer. Isto serve para dizer que, se algum dia eu for um gajo conhecido - daqueles que é convidado para ir a sítios falar de coisas tão importantes como "o existencialismo cristão de Kierkegaard", ou "a importância de Schiller no movimento romântico da Literatura Alemã", ou "o conceito de Tempo no pensamento de Eduardo Lourenço" ou, por exemplo, "da densa neblina que parece assolar a pornografia norte-americana desde que Jenna Jameson deixou de ser actriz" - não resistirei às envergonhadas necessidades de quem regressa aos seus melhores dias!

As fábricas das Sumidades: Pronto, isto veio a propósito de linhas de montagem danificadas (devem ser os grãos de pimenta a emperrar a engrenagem). Vou ser breve que não tenho vida para isto. - Ah, fica já o aviso que isto dos postes longos e maturados (!) vai acabar! É verdade! Lamento, mas o Etcétera vai dedicar-se a outras causas - não, não houve nenhum russo magnata, dono de um blogue inglês, que me contratou para ir descaralhar para lá - e começará a bebericar com menos assiduidade nesta nossa fonte. É a puta da vida e a minha só me fode! - Não conheço o João Marques de lado algum, mas gosto do gajo. O que é fodido porque já tenho benfiquistas a mais na minha consideração. Qualquer dia, há merda! Passei admirá-lo pelo que escreve. E também pelo modo como escreve. Quer dizer é arrojado sem ser parvo e essa é uma das melhores virtudes. Outros há, como eu, que são arrojados e parvos. Outros há, também, que são só parvos, nem é preciso dizer nomes. Vocês sabem de quem é que eu estou a falar! O João Marques é vice-presidente da JSD-Braga (é isso, não é?) o que, pelo que leio nas homilias ocas, equivale a ser um cavalo oportunista sem formação e apenas com ambição tachista! Ainda assim, eu que sou teimoso como o deus me livre, quase que aposto que o João - como outros, estou certo -, mesmo sendo da JSD, dá 10-0 (gosto de aplicar estes termos futeboleiros enquanto falo, dá um certo élan, uma certa atitude tipo foda-se) a muitos desses parvos; os tais independentes de ocasião; esses, sim, são os embriões dessa corja que nos teima em governar. Os independentes políticos não passam de uma merda de uma rosa dos ventos. Viram sempre para onde são empurrados. Alguns deles, vejam bem, até estiveram na origem de inefáveis partidos liderados por figuras tão marcantes quanto o Manuel Monteiro. Mas esses é que são os exemplos para os outros. Pois claro... Bom, João, um dia, quando fores assim alguém mais influente, irás certamente dar de caras com alguns destes paladinos apartidários - hoje ainda jovens pugnadores e desocupados - vociferadores da dor de corno, alapados nos cadeirões da vida. Por essa altura, serão velhos gastos, soberbos em tudo menos na dignidade, de faces rubicundas e corpos anafados. Até porque, João, ao contrário do que fazem crer, o Tigre não é maior do que o Eufrates. E já dizia o outro, "palermas há muitos, ó chapéu"!

Até já: Gosto que me leiam, da mesma forma sincera, ingénua e pueril com que leio (quase todos) os outros. Mas não encontro em mim aspectos menores que se atemorizem perante a grandiloquentia. Cada vez mais vou conhecendo o meu lugar. Não no blogue, que existe e nos mima em infantis escapadelas ao óbvio. Mas antes na vida. Conheço o que quero e quem quero. Na vida que prossegue, que nos escapa quase sempre, que acaba por se tornar o que vai restando de nós, só nos compete chegar ao ermo da lucidez e ver que tudo o que não dissemos estava implícito no que foi dito. Para quê deixarmos de ser nós (ou o que sobeja de nós) só porque gostamos de escrever? O grosso da beleza da vida é, vejam bem, resultado generoso da inesgotável criação humana, seja ela natural ou rasgada, artística ou apenas conturbada. A beleza erguida e criada é como um dom: sublime, porque nada se pede em troca. A música, por exemplo. Decepa-nos a imaginação. Calcina-nos o mistério. Mas todos tínhamos obrigação de saber isto, certo?

Um abraço a todos!

Não tem talento, mas tem idade!

Os gajos que vendem livros nas escolas agora são "consultores pedagógicos". Os palermas que arrotam postas de pescada cívica na blogoesfera são "cidadãos"! Está certo, não está errado e eu apesar de não gostar, já trinquei!

O meu maior sonho é ter uma carrinha Bedford - é a ford Transit dos ciganos, para quem não sabe. Ter uma carrinha Bedford e ganhar o euromilhões mesmo sem jogar! Isto, sim, seria vida. Aliás, acho mesmo que todos nós deveríamos ter uma Bedford e ganhar o euromilhões. Por exemplo, acabávamos o curso e o Estado era obrigado a dar uma Bedford a cada cidadão e ao Daniel Oliveira também! Sim, porque eu acredito que cada tipo deve poder fazer consigo o que quiser desde que não chateie o outro, não cheire mal, nem peça subsídios ou audiências a quem deveria ter mais do que fazer.

Neste sentido, de acordo com uma tese que eu estou a fazer nas horas de trabalho, há apenas dois tipos de pessoas em todo o mundo; as que nas viagens Braga-Porto/Porto-Braga entram e saem na Cruz e as que saem e entram em Braga. Agora que me lembro, sempre fiz essa viagem de comboio, o que, segundo Lacan, quer dizer que eu sou um indivíduo fenomenal. Aliás, quer mesmo dizer que eu sou um gajo do caralho! Sim, ainda no outro dia - ia eu calmamente na rua a distribuir charme - me disseram; "Basta olhar para si que vê-se logo que você é uma figura proeminente!" Refutei e disse que essa figura tinha outro nome e uma cara consideravelmente menos amiga da beleza. A pessoa em causa anuiu à minha resposta e convictamente reconsiderou a opinião acerca da minha personalidade. Depois, ainda acrescentei: "um ataque só merece defesa quando é completo, isto é, quando se conhece o sujeito e este se dá voluntariamente a conhecer. Um covarde permanece irremediavelmente aprisionado na sua própria covardia: vive penosamente, no estupor da sua condição sub-humana, sedento da gratificante admiração alheia". A senhora, admirada, ia reagir, mas atempadamente percebeu o que eu quis dizer, e - vi-lhe nos olhos - entendeu que eu não estava a falar dela. Antes de me virar costas disse: "concordo consigo. Essa deveria ser a nossa natureza. O covarde foge a brigas, fala baixinho e encosta-se aos poderosos, em quem se refugia para atacar escondido, como um sniper que atira a alvo incauto. É nocivo e é repulsivo".

Faz muita falta a retórica, ainda que demagógica: há momentos críticos em que só a demagogia aponta a saída. A demagogia é a falta de paciência para aturar quem tem uma visão telenovelesca do mundo. E, depois, há aquele embaraçoso servilismo dos "xótores", curiosamente tão próprio a quem critica a estratificação de classes e os carreirismos alheios, obnubilando o seu próprio!

Eles são tão eloquentes, independentes, assertivos, loquazes, excepcionais, extraordinários, disertos, originais, significativos que quando morrerem a inscrição tumular será quase uma tábua onomástica!

Como barrar tulicreme sem ficar com os dedos todos "coisos" ou a gaja do Dr. House não ficava nada mal numa cama que cá sei!

Hoje sonhei que estava debaixo da terra. Debaixo da terra mas sem estar morto. Para quem já sonhou que andava a ser perseguido pela Rita Andrade em topless, este sonho foi uma espécie de Luisão dos sonhos: não foi mau, mas há muito melhores! Sonhei que se abrira um buraco no solo e eu entrava lá e vivia no subsolo. Até aqui tudo normal. Sim, nos sonhos tudo é normal. Não há as contingências da trivial life, nem os gajos da Polícia Municipal a foderem-me o juízo por estar estacionado em cima das raias. Foi um sonho como outro qualquer. Eu entrava no subsolo e, para além do Rui Unas a representar muito bem o papel de Rui Unas, não estava lá mais ninguém. Acordei e lembrava-me do sonho quase todo. Nem no sonho da Rita Andrade me lembrei tão bem dos pormenores como neste. Aliás, durante esse sonho, não fosse a mancha que tinha nas cuecas ao acordar, e teria tido alguma dificuldade em lembrar-me com o que sonhara.

Dizia eu, acordei e lembrava-me de tudo. Mas o pior foi ao acordar ter a sensação de que estava equidistante de tudo e todos. Vivia sozinho no subsolo com o Rui Unas a fazer de Rui Unas. Eu, tendencioso, gosto dos declives e contrastes fortes. Não gosto de pensar nas coisas devidamente arrumadas para que, quando nos debruçamos a perceber o que se passa, possamos facilmente encontrar a prateleira certa. Ainda na mesma direcção, nunca senti a necessidade de pertencer a alguma coisa. Mas todos pertencemos a qualquer coisa. Não pertencer causa angústia, mas também liberta. O dilema é este.

Eu gostava de estar sempre rodeado das pessoas e coisas de que gosto. Eu gostava que me deixassem em paz e não tirassem do meu canto para o resto da vida. A ter que escolher, e a puta da vida não é mais do isto, vou pela primeira e poupo trabalho à Ceifeira. Apesar desta escolha, suspeito que nunca o vou conseguir na totalidade. Passamos os dias a separarmo-nos de partes importantes da nossa vida. Criança que sou, faço birra e ainda não compreendo o porquê de não podermos estar sempre com junto de tudo o que queremos. Tudo mesmo, mesmo, mesmo tudo.

Por isso, em desespero, faço promessas de eternidade, juras de companheirismo ad eternum. Deste modo, mantenho uma porta aberta a todos os possíveis regressos. Este jogo é intrincado. É fodido virar costas depois de olhar o mais fundo e recôndito segredo duns olhos que enganámos com um laivo de esperança que não conhecemos.

Bem digo que o mundo está perdido

e, vejo agora, que o Markl concorda. Melhor, eu concordo com ele.

Nasci em 1981. Niilismo. Solteiro, mas monogámico. Foda-se, serei arte contemporânea? O Pai Natal vive na Jamaica e não conhece o Jorge Coelho!

O Bruno, que é quem manda nisto tudo, é um gajo interessado por política. Ele, no fundo, é o gestor de produto deste blogue. Uma altura, em Ofir, na casa da minha namorada, estávamos nós a meio de uma das 350 mil minis, quando ele se lembra de que devíamos fazer um blogue. Um blogue? Perguntei enquanto arrotava. Sim, um blogue! Um blogue sobre política, disse ele. Ri-me. Disse que sim. Fez-me lembrar aquele dia em fui abordado por uma indivídua que se ofereceu para me providenciar um felácio - termo académico para broche. Querem um exemplo? «Na poesia de Jorge de Sena o felácio representa a palavra sagrada na noite do mundo!» É por coisas como esta que vou estudar toda a minha vida! - e, mais uma vez, já não sei qual era a moral desta história. Mas era muito boa. Bom, o que eu queria mesmo dizer - e a história do felácio tinha qualquer coisa a ver com isto - é que percebo pouco de política e mesmo assim aceitei o convite. Ok, já me lembro, mas não vou contar!! Quer dizer, de política percebo o suficiente apenas para saber que não se vota no BE, nem no PCP e que os gajos do CDS são betos. Ora, eu não sou beto. Sou burguês! Há muita diferença. O beto diz share, quando, na verdade, share não é mais do que o caralho - sim, gosto de dizer CA-RA-LHO, sem aspas que eu nunca aspeei nenhum caralho, homem que é homem não aspeia caralho algum - das audiências, estão a ver? O burguês, por sua vez - adoro estas rimas -, fica sempre com a miúda mais gira, mas que gosta de ser respeitada e, por isso, está sempre a lavar os dentes - percebem? - não vá o respeito fugir pelo grelo deficitário abaixo.

Bom, hoje quero falar-vos daquilo a que resolvi chamar de: «a crença na mudança como tradição virada para o futuro que dá, hoje em dia, lugar a uma gradual valorização do circunstancial, do quotidiano e do sem sentido». O título é grande, mas é bom! Peço-vos seriedade na leitura.

Octavio Paz, para além de ser brasileiro, pensa bem. Aliás, pensa muito e bem. O que normalmente equivale a dizer que pensa muito bem! Repare-se nesta sua reflexão:

«Há uns anos as negações são repetições rituais: a rebeldia convertida em procedimento, a crítica em retórica, a transgressão em cerimónia. A negação deixou de ser criadora.»

Eu, que sou mau a pensar sozinho, mas bom a pensar sobre pensamentos dos outros, lembrei-me logo de escrever uma coisita cá no blogue a este propósito. Paz estava a referir-se à arte moderna e de como ela é o espelho da nossa mundividência. Tem necessariamente razão. A culpa é do filósofo que o pessoal do djambé tanto gosta de citar: Nietzsche. Bom, a fragmentação do sujeito e a sua despersonalização deram lugar a uma subjectividade enevoada sem confiança ontológica, a uma emotividade light. Por isso, hoje que vos escrevo, o empenho e a crença na mudança, como solução situada no futuro, foram substituídos pelo hedonismo do presente; proscreveu-se o investimento a médio e longo prazo no conhecimento, substituindo-o pela sua normalização, na cultura da standardização. A vivência do presente substitui o corpo do trabalho pelo corpo do desejo e do prazer, numa negação do tempo linear: os seus valores são os do presente. Escrevo e lembro-me dos Jorges Coelhos. Agora, sacraliza-se o tempo fundado no prazer presente - Jorge Coelho -, representação e sugestão de imagens numa sociedade baseada num consumo desenfreado. Não quero com isto negar que a libertação da progressão rectilínea da humanidade não seja positiva - o mito de eterno retorno, numa espécie de alteridade virada para nós próprios -, contudo creio que este círculo que estamos a desenhar - ou que desenham por nós - é apenas um lugar em que tudo é perdoado sem que nada nos seja restituído.

No fundo, quero dizer-vos que me parece que o tempo social, os acontecimentos que nos cercam, a sua informação total, fundem-se, enquanto espaço e tempo, e vivem-se em simultâneo, absorvendo toda a atenção desse eu distraído e não atraído, incapaz de descer para dentro de si o que vive em imagens exteriores. Vive-se a era do prazer (Baudrillard dixit), do corpo e da imagem, na era do vazio (Lipovetsky dixit) de si. Ao excesso exterior corresponde um vazio interior (Dr. Etcétera dixit)

Por fim, um bom feriado e um bom fim-de-semana. Vou passear os cavalos da carrinha da minha namorada - sim, porque ela tem uma carrinha que é um mimo, daquelas que dá para pôr a chiar e assim impressionar as brolhas de Matosinhos! Não que eu já o tenha feito, não é?! Que raio de pessoa é que sairia com os amigos na carrinha da namorada para andar a galar cabeleireiras e manicures nos sinistros bares de Leça e depois, ainda por cima, vinha contar a história para um blogue com 100 visitas diárias, sendo que uma delas é a própria namorada? Não faz sentido, obviamente! - lá para os lados de... Queriam saber, não era? Não digo, seus cuscos de meia-tigela*!

* - Confesso que hesitei em escrever tigela com "j"!

Então, está tudo doido? O Menezes é que é!! Ou: a negação das ideias parodiadas!

Mau, mau, maria! Já nem sei que diga! Então, vai ser sempre isto? Antes de começar, uma rápida pergunta/exclamação/cena dita com humor: Ó Bruno, hoje é SÁBADO! Comentários às 8 da manhã...?!?! Não te conhecesse, e diria que estás a ficar como o outro: «somos o primeiro, lálálálálá, somos o primeiro»!!!

Bom, o Menezes ganhou! Allez Menezes, Alleeeez!! E salta Menezes, e salta Menezes, allez, allez!! Quase toda a gente ficou surpreendida e o Daniel Oliveira também. Como diria Mário Soares, depois de jantar, «se o Menezes ganhou é porque o Mendes perdeu, porque o Mendes é do PSD e o PSD pertence ao PSD que pertence ao PSD europeu o que no fundo quer dizer que toda a gente ganhou e toda a gente perdeu. E isso é bonito, mas também pode ser feio.»

Eu só não percebo uma coisita... Toda a gente, vamos incluir o Daniel Oliveira, outra vez - diz que o Menezes não tem projecto, que é demagogo, populista e que tem todas as características necessárias para se ser um mau político e bom chupista!. Dito isto, eu pergunto: porque raio o gajo não vai "okupar" o BE?!?

Avante, camaradas! Avante! Eu, que na única vez que não votei em branco votei PSD - e porque o meu Pai estava na mesa e não quis correr o risco de ele ver que não votava na lista dele -, acredito no Menezes. Acredito no Menezes porque sou um merdas (sem aspas) que facilmente cede às pressões sociais! Não percebem a ligação? Eu explico! O Menezes é médico, meus amigos! É médico!! O Menezes pertence à elite que vai mudar este país. O Menezes entrou para a Faculdade com uma média altíssima, foi dos melhores alunos em qualquer das turmas por onde andou e é um representante da mais nobre e altruísta classe do país! Estamos salvos! Alguém conhece um médico incompetente? Ou ignorante? Alguém conhece um médico que não tenha passado pelos mais rigorosos e inovadores métodos de avaliação? Alguém conhece um médico que, para além de ser um pontual e metódico profissional, não seja um ilustre e benigno cidadão? Se conhecem, estão enganados! Vão lá verificar, e descobrirão que afinal é advogado ou professor... Socorro-me de Orwell, e chego à conclusão que quem pensar o contrário comete «crimideia»... E se há coisa que não quero para mim, nem para os meus amigos - não para todos, porque há um que não se importaria -, é ir apanhar sabonetes para a prisão!

Ora, sabemos todos que os médicos são os únicos capazes de revelar a complicada carne dos problemas, são os decifradores mais ou menos irreverentes de toda a matéria enigmática, corruptores do real e da linguagem codificada, fazendo uma espécie de alquimia da palavra. Emergem de um sapiente oceano em vulcânica e densa complexidade, dando origem a uma ilha obscura e solitária que se encontra afastada do continente que abarca o resto das gentes. Quando aos nossos olhos, - do pessoal que fica fora dessa imponente ilha - por breve e mínima que seja, se levanta alguma imagem com sentido, foi obviamente devido à sagacidade interpretativa dos elementos dessa ilha que, uma vez mais, se dispuseram - qual constelação que brilha irradiante - a tornar límpido, primordial e energia pura aquilo que era obtuso, hermético e inatingível!

Para terminar, quero apenas afirmar uma vez mais que Menezes é, por tudo que disse, o homem certo. Aliás, só pode ser! Não há outro caminho! Não estamos entregues a uma orfandade trágica, o Menezes, doutor Menezes, estará por aí do alto de todo o seu conhecimento. Impoluto e denso ajudar-nos-á a recuperar a sabedoria perdida. Com Menezes, sabemos com que contar: uma busca da alteridade dentro de si. E essa pode até ser uma virtude. Embora me pareça que este médico - como outros - não tenha bem definida a tão necessária complexidade ontológica, mas antes a popularucha profundidade humana mais dramática!

Por aqui me fico. Vou ver os All Blacks!

O meu nome é Zé. Zé Silva!

O nosso querido país está cheio, repleto, a abarrotar de "pessoas amigas do seu amigo". É uma boa característica para se colocar no perfil do hi5 - juntamente com outras do género "carpe diem"; "sou teimosa e a mim só me traem uma vez" ou "sou frontal e digo na cara tudo o que penso" - contudo já não me parece ser a melhor das qualidades quando se trata de alguém eleito pelo soberano povo para discutir alguns dos nossos assuntos mais importantes e profundos.

Bom, vem isto a propósito disto e disto.

Já por aqui me deixaram uns laivos de indignação relativamente a uma suposta presunção intelectual que o meu epíteto blogueiro acarreta. A determinada altura, estive quase, em jeito de envergonhada justificação, para esclarecer que se trata de uma brincadeira. No fundo, é uma metáfora dos nossos dias, dos nossos egos e dos nossos valores. Sim, uma metáfora para todos aqueles que vivem à bolina do vento!

P.S.- Não é só por isso. Na verdade, não quero que saibam o meu nome. Não que ele seja feio, aliás estão sempre a dizer: "que nome bonito tu tens, excita-me (ainda mais, acrescento eu)!" Melhor, não quero ser identificado. Mais para o bem do que para o mal. Com esse posso eu. Gosto de poder dizer "dor na cona" em vez de dispareunia. É feitio, percebem? É que para pudicícia, já me bastam as miúdas deste nosso cantinho...

Sem título

Por último, eu não me tomo por uma pessoa violenta. Não gosto de confusões e, na maioria dos casos, cedo - mesmo quando tenho razão - só para não me chatear com alguma da ignorância transformada em sociabilidade. Mas se há merda que me fode é ver os lugares dos deficientes ocupados por um labrego/a qualquer que, por não quer arriscar um risco (cacofonia) no seu mais do que tudo, se toma por dono do mundo. Amigos, nem que tenha de perder uma hora atrás do gajo da moto 4, mas a matrícula do vosso bébé vai soar nos altifalantes da "caixa central"... E mais, mandasse eu em alguma coisa - sorte vossa, tal nunca acontecerá - e levavam logo com bloqueador amarelo a condizer com os pingarelhos que tanto gostam de usar no retrovisor. Isto para não dizer que, havendo justiça, o cabrão do carro devia implodir ali mesmo. Sim, sim; implodir. Já estou a ver, chegavam todos pimpões das compras e népia: só sucata, destroços e lixo: para condizer com os donos!

"O que faz falta é animar a malta"

Não gosto do Luís Represas. Não há motivo. Não gosto e pronto. É como sardinhas. Pá, não gosto. Canta muito bem no estilo "ai, eu estou por aqui com esta minha gadelha farta de cota que tem em casa uma mulher cuja pedalada dá 10-0 à minha". E toda a gente sabe que isso não é estilo algum. Não sei se o gajo desafina ou não. Também não interessa. Nem sequer conheço as músicas dele. Por acaso, até conheço: aquela do "limpa-chaminés". Não, essa é do Rui Veloso. Pois, tanto faz. Só não gosto de o ver. E também não gosto da Simone. Bom, isto para dizer que concordo com isto*. Se calhar até não concordo, mas isso é de somenos importância e não me preocupa nada. O que eu gosto mesmo é de ver é a gente contente, concorde eu ou não com a origem da alegria. Quer dizer, eu não concordo com a medida. Mas concordo com facto de deixar de haver quem determine o que os outros podem ou não fazer. Acho que se chama auto-regulação. E acho também que tenho de decidir se concordo ou não com alguma coisa antes de falar dela.


* - À atenção de alguns jovens e menos informados leitores deste blogue: devemos evitar repetir palavras na mesma frase. Se conseguirem, devem evitar repeti-las no mesmo texto. Se porventura não conseguirem - aaahhh, outra vez o mesmo verbo -, podem sempre continuar a ler os meus textos até ficarem poluídos por uma imensa inveja. Igual à do Prost pelo Senna.

Allô, Allô, terra tenta contactar o Peloponeso! Escuto... Repito: terra tenta contactar o Peloponeso! Escuto...

Sempre gostei de dançar. Mas fui sempre uma autêntica nódoa. Uma altura, era eu caloiro, uma das minhas danças resultou num convite para acasalamento. Apeteceu-me partilhar isto convosco porque é um bom exemplo duma coisa qualquer que agora não me lembro, mas que há sensivelmente dez minutos parecia fazer todo o sentido do mundo.

Como quando me deram o papel de maestro numa peça de Teatro naquele colégio que fica ao lado do pau a que o pessoal sobe para ir buscar o bacalhau, sabem qual é? Agora não me lembro do nome. Mas andei lá. Tinha uma bata e o caralho! Era coisa digna. Na peça, eu era o maestro e, a determinada altura, tinha que me sentar numa cadeira que seria propositadamente retirada por um colega - foi um gajo que mais tarde me partiu um porta-chaves do "Zé sempre em Pé" que eu tinha atado às calças e foi, consequentemente, o primeiro gajo a quem espetei um real bochecho nos cornos -. Aquilo metia uma dança qualquer e mais uns gritinhos e uns saltinhos - dito assim, faz-me lembrar outra coisa que na altura não fazia e que, pensando bem, agora também não -, e outras coisas que já não me lembro. Aquilo foi na pré-primária. Eu tinha 4 ou 5 anos e já na altura o bochecho que mandei ao gajo foi mais forte do que o do Scolari. Só me lembro de o palco cheirar a vómito, porque um miúdo de Celeirós no último ensaio se lembrou de o regar com o almoço. Esta história teve uma moral qualquer que eu agora não descortino. A minha memória tem destas coisas. Se existisse um dia do juízo - assim como há o da mulher e o da árvore - seria bonito ver-me contorcer de dores sobre o insólito manto que me cobria.

Bem, João, deves estar a perguntar: "Este cabrão está cada vez pior. Mas ele está falar de quê? Um gajo fala do Benfica e ele começa a dizer (ainda mais) merda por aquele teclado fora!" Mas, não stresses, já diziam os poetas urbanos. Aliás, creio que há frases que definem cabeças tontas e as minhas, meus caros, são disso límpido exemplo. Eu chego lá. Vamos com calma!

Uma primeira achega. Há algumas coisas que me deixam - vá lá, para não ser mal-criado - fodido - não consigo evitar usar esta palavra, bem que tento e penso em sinónimos: alterado, furibundo, desconcertado, zangado, mas nenhum termo abarca tudo o que eu quero realmente dizer como fodido o faz -. Gosto também de usar estes parêntesis entre as coisas que estou a dizer. Bom, portanto, estava a dizer que fico fodido. Fico fodido com os "sim, senhores". As anuências à la rebanho esfomeado não me cabem entre as orelhas e muito menos no buraco dos excrementos. Percebe-se que é assim - admito até que tem de ser assim, os filhos têm de comer e a mulher gosta de pavonear a celulite bronzeada - não sabemos, sequer, dizer como se faria agora, para ser doutra maneira. Não temos, penso eu, resposta para isto. Fomos por aí, temos ido todos, uma manada cega e desenfreada, chipada desde há muitos séculos a fazer o seu caminho aos trambolhões. É da nossa natureza. Temos de ser o primeiro, o maior, o mais rápido, o mais impoluto, o mais cordial... A culpa é nossa, inventamos uma cápsula em que o tempo é uma aceleração na reta da meta; um tempo que já não permite paragens que não sejam consideradas pausas criminosas. Quem disse que a preguiça é pecado não jogava com o baralho todo e, muito provavelmente, era do Benfica.

João, começo por dizer - agora um momento de seriedade - que concordo contigo quando te referes aos cânticos. Mas isso são coisas que se passam ali para os lados da jaula do Macaco. Tanto quanto sei, no Sporting não se canta esse hino às mães do Benfica. Continuando. Não me parece que essa postura de timoneiro que já não afaga o leme que tem nas mãos, antes o fixara, já, numa direcção que nenhum dos marinheiros ousa discutir, seja a melhor. É isso que critico no Benfica. Os benfiquista - e eu conheço vários, aliás o meu Pai é benfiquista, o meu irmão, os meus mais próximos amigos - vivem de um rumo que eles pensam lhes ter sido traçado. As velhas glórias, os mitos, os tempos idos. Estão aburguesados a um feudo e a um papel que já não são os deles. Essa história do canal é bonita, sim senhor. Deve ser como a "operação coração", o mito do eterno regresso do Rui Costa, o ingresso na Dow Jones, a OPA dos chineses, enfim... Pessoalmente, critico é a falta de regressos sem assombrações ou fantasmas: o pensar outra vez, que parece não entrar nas vossas contas. Sim, o descer às contas do real. O Sporting, por exemplo, fez isso. Sem qualquer problema. O Benfica, nada! Ainda há dias, dizia o Kadhafi que o Benfica se estava a preparar para regressar aos títulos europeus... Desculpa lá, João, mas enquanto o vossa voz for quem é, a minha opinião dificilmente mudará.

Eu sou um gajo simples. Confesso-te. Não tenho paciência para canalhices e para mentiras ou subversões. Um gajo morre cedo, não conhece um milésimo do mundo onde vive e ainda tem de levar com merdas dessas? Não está certo! Certo está que aqueles como eu, os simples, que não têm vergonha de gostar de futebol de vibrar com ele e de dizer que alteram horários dependendo da hora a que joga o clube. Isto, sim, é o regresso aos mitos, aos tempos idos. A torpe e ignominiosa verdade é esta: o Benfica não impressiona ninguém, excepção feita aos emigrantes, mas creio que esses até mesmo vocês dispensam trazer para a conversa, certo? Mas vocês deveriam ser os primeiros a perceber isso. Pá, não querem, tudo bem! Os sinais estão à vista. As multidões estão dissipadas. Aquilo que eram estádios sempre cheios, hoje já não o são. Os jogadores e treinadores fogem assim que podem... Mas, se calhar, sou que estou a ver mal, completamente toldado por este sectarismo sportinguista. Ainda assim, peço-vos que parem um bocadinho a ver se eu vos percebo. Será obviamente trabalho hercúleo, mas quero entender tão fecundos cérebros, ligados às altas frequências da inteligência superior. Não sei se alguém concordará comigo, mas o clube do povo comporta-se, hodiernamente, como a decrépita e falida nobreza com os seus tiques já caducos de ostentação e poder de outrora. O resto é paleio balofo.

Convém, também, relembrar que os habitantes do Olimpo sempre estiveram expostos. Segundo dita o mito, nem os Titãs lhe valeram. A ver vamos como se vão dar tão ilustres presenças por baixo das nuvens.

ProntoS, é isto. Relendo, vejo que falei pouco de futebol. Mas o assunto era o Benfica. Bate certo!

P.S.- Peço desculpa por não ter insultado ninguém. Não sei o que se passa comigo. Deve ser falta de mimo.

A melhor caixa de comentários do mundo e quiçá do fontes do ídolo.

Actor principal: hc.

Actores secundários: Etcétera (no papel de mau da fita), Marco Gomes (o vilão que concordou com o Etcétera) e um anónimo (no papel de uma pessoa extremamente esclarecida).

Enredo: Uma trama psicadélica entendida em profundidade ontológica sobre o seio da transcendência e concomitantemente sobre o supremo afastamento da realidade.

Cenário: Um comentário mal recebido. Um fundo azul em louváveis e puritanos tons brancos: o fontes do ídolo.

Ora, começou assim:

Marco Gomes disse...
Concordo, percebo a tua quarentena. Também estou num estado de privação de tais conversas, mas um pouco mais longa do que uma quarentena.
Prolixas, são estas gladiações insensatas, narcísicas, púberes, sem objectividade, que só servem para encher até à rolha o ego de quem as pratica.

19/9/07 11:07 PM
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Dr. Etcétera disse...

"encher até à rolha", gostei e já me ri.

20/9/07 12:06 AM
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HC disse...

A entrada na universidade é para muitos o resultado de esforço e dedicação de três anos. Representa, por vezes, mais uma batalha vencida nesta guerra de "notas". Porque não as mostrar?? Esta "quarentena" de que falam representa um isolamento total com a realidade e QUEM NÃO DEVE NADA PARA CONSIGO MESMO, não teme, não foje!!

P.S: QUANDO AS REALIDADES NOS SÃO REPULSIVAS E QUANDO FALAMOS DELAS COM DESPREZO É PORQUE VIMOS NELAS TUDO O QUE QUEREMOS MAS NÃO CONSEGUIMOS ALCANÇAR.

21/9/07 5:28 PM
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Dr. Etcétera disse...

Amigo/a hc, ia - juro que ia - responder-te à letra, mas depois reparei que escreveste "foje" e perdi a pica toda...

21/9/07 6:03 PM
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hc disse...

perante a tua resposta tão pouco significativa, consegui perceber que a tua quarentena é apenas ficticia... tu não te isolas, as pessoas é que se afastam de ti por seres tão "picuinhas". se um erro ortográfico te incomoda tanto para responder e defender uma ideia tua, não me adimira que as pessoas se afastam de ti. estou mesmo a imaginar um discurso teu, cheio de criticas e completamente desumano.

Só mais uma coisa: errar é absolutamente humano... (tive necessidade de o escrever para que o soubesses).

22/9/07 9:32 AM
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Dr. Etcétera disse...

"Errare humanum est, perseverare autem diabolicus"

A sério? A minha quarentena é fictícia? Não me digas... Eu a pensar que era uma verdade inquestionável, um dogma para uma qualquer seita, quando afinal é apenas um desvario metafórico... Obrigado, hc. Finalmente "mais luz" na minha vida...

De resto, tens razão, hc. Eu não sou humano, sou um cyborg vindo directamente do século XXXV. Um cyborg que gosta (muito) de discutir, mas apenas com quem ele quer e com quem o estimula. E, não, não é o teu caso. Queres um exemplo? Ok, eu perco 3 minutos do meu tempo contigo e depois já podes rebolar extasiado, qual Narciso reflectido na água, no chão do teu quarto...
Cá vai. O "P.S." que V.Exa se dignou a colocar no seu primeiro comentário é digno de um qualquer diálogo de surdos. Dizer que só desprezamos aquilo que não conseguimos alcançar é de bradar aos céus. Dou um exemplo pueril (tem de ser, não é hc?): se eu numa conversa mostrar desprezo por um assassino, estou, segundo o Lacan contemporâneo que dá pelo nome de hc, apenas a dizer que queria ter sido eu o homicida e que o invejo por ele ter tido a coragem que eu não tive, certo? I rest my case...

hc, lamento, mas ainda sou eu quem decide com quem converso. Mas a blogoesfera é um espaço amplo, quase infinito. Estou certo de que encontrarás, muito facilmente, algum sítio onde as tuas fascinantemente ocas reflexões obtenham respostas mais significativas do que aquelas que eu te consigo dar...

Vá, força nesses ossos.

P.S.- Já que tenho a fama de "picuinhas", nada melhor do que ficar com o proveito: hc, essa acentuação também não é o teu forte, pois não?

22/9/07 10:56 AM
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hc disse...

Se as minhas ditas "ocas reflexões" são assim tão insignificantes para o teu ego de "cyborg vindo directamente do século XXXV" porque te deste ao trabalho de me responder??

Escreves muito para não dizer nada...

22/9/07 11:29 AM
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Dr. Etcétera disse...

Tenho uma indelével faceta de Madre Teresa...

22/9/07 12:46 PM
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hc disse...

Fica com a tua indelével generosidade.

Quando a esmola vem de um pobre...

22/9/07 1:33 PM
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Anónimo disse...

hc o ditado é "quando a esmola é grande o pobre desconfia."

se a esmola vier de um pobre parece-me que seria um acto nobre e não algo criticável.

eu concordo com o etcétera e com o marco gomes. as notas são como as medalhas: servem para honrar uma atitude. e quem se pavoneia pelas atitudes que toma, não merece essas medalhas.

cumprimentos a todos

22/9/07 2:24 PM
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hc disse...

Caro anónimo, fica desde já assente que não me estava a referir ao ditado, nem coisa que se parecesse... mas já agora fica a minha opinião:nem tudo que vem dos pobres é louvável.

Inté

22/9/07 3:09 PM

ProntoS, terminou assim!

Digam lá, um verdadeiro mimo da anti-glosa, não? Atentem no nível de reflexão de hc, a destruição dos sentidos instaurados que ocupam os espaços que coabitam com o verdadeiro conhecimento - onde a musicalidade é interior e se transmite pelo silêncio -, a capacidade de exprimir a origem para depois criar uma ligação fundamental às coisas de onde brotam a renomeação e a desfiguração do sentido superficial da palavra: «nem tudo que vem dos pobres é louvável» hc dixit!

Quem é amigo, quem?

Gajos fora de tempo











Em quarentena

É assim que me sinto: em quarentena. Sinto-me em quarentena sempre que leio os gladiadores do novo mundo a discutir, por exemplo, as médias de entrada na faculdade. O melhor curso. O melhor aluno. A melhor nota. A nota menos baixa de acesso. O curso mais inovador. Os estudantes mais procurados. Estou em quarentena. Sou absolutamente miserável e não pertenço a essa conversa. A minha imagem pertence ao tapete que esses senhores pisam. Em quarentena.

Neste mundo, a análise do poder é feita cara-a-cara; vence o mais forte e o mais poderoso, mas, por vezes (ou quase sempre?), esse é também o mais ardiloso e o mais amoral. É o homem de regresso à sua condição de animal irracional. Desta feita, erecto, polido e socialmente integrado (ou dominado?).

Desesperos vários se dão expressão e uma espécie de quase violência brota neste género de conversa. Em acordo ou em total negação, o afunilamento da visão periférica destes senhores é similar à angústia que tentam limitar a um horizonte preciso, embora, segundo estou em crer, ela lhes venha de mais ancestrais e intemporais raízes. Numa altura em que a nossa geração parece mais preocupada com o expressionismo - do que pela expressão mais intelectualizada e complexa -, aflora o já patenteado desespero. O desespero da (sua própria) perfeição e o desespero no modo como sentimos as coisas e o mundo. Não há quem se preocupe em valorizar a cada palavra os reflexos luminosos e sombrios das ideias que fogem da aparência calma da linguagem imposta. É por isso que somos uma geração desesperada que cede, dia após dia, às cintilações do mundo feroz e menos nítido que nos chama.

O alerta vem sendo dado. Primeiro, Camus. Depois, Saramago. Mais recentemente, José Luis Peixoto. O alerta é dado todos os dias. Que alerta? Os romances e obras ficcionadas que funcionam como uma parábola universalista sobre a condição humana. Condição humana, no nosso caso, restringe-se ao homo occidentallis. As críticas são várias e manifestam-se em diversos aspectos da nossa vida corrente. O modo como encaramos o ensino - falo do ensino porque me referi à histeria das médias - é apenas e só uma das vertentes dessa pseudo-pulsão hermenêutica: a que afere da capacidade de cada em função da sua qualidade aos olhos de alguém que o avalia. O que critico é a aceitação incondicional e acrítica de que sejamos movidos por intuitos e planos racionais, que a motivação das nossas acções seja lógica e transparente à consciência e que o incontestado domínio do pensamento racional sobre todos os outros sectores da sociedade possa conduzir o homem à felicidade.

Bom, honestamente vos confesso, não sou exemplo para ninguém. Aliás, não se deixem sequer confundir pela prolixidade do meu discurso. Risquem-me e riam-se de mim. Porventura, estou errado e apenas me indigno porque ainda não encontrei "mehr licht" para seguir a minha vida. Este meu cepticismo moral conserva, ainda assim, uma lúcida, porém ténue, zona de esperança. Em quarentena.

"A era do vazio"

O título do comentário foi roubado a um livro Gilles Lipovetsky. Vem na sequência desta notícia. Nunca entendi, e cada vez menos me esforço por o fazer, a necessidade de percorrer a vida em ziguezague, num quase mítico deambular ao sabor das convenções, modas e necessidades, deixando de parte o sentido de autoconsciência que deveria servir para nos elucidar com clareza neste penetrante itinerário, quase sempre fusco, e dificilmente superável, que é o percurso da Pessoa na Vida.

Parece-me que o mais importante será chegarmos ao fim - perdoem-me os crentes, mas o fim chega - e reconhecer nos múltiplices caminhos da nossa vida uma respiração unânime. Na vida, a cronologia é má conselheira. Inculca «evoluções» ou «involuções» lá onde precisamos de todo o sangue-frio para reconhecer a densidade e o peso que não são fruto obrigado do tempo - embora o possam acompanhar. E é essa a questão: por comodidade, vergar de espinha ou falta de carácter, seguiremos também o caminho mais fácil, aquele caminho cuja presença é indiferente para o nosso destino e à compreensão que nele está eclodida.

Não entendo a necessidade de justificarmos as nossas notas dissonantes perante o restante mundo de iguais. Mais impessoal do que esta estigmatização de um mundo cumprida através de metáforas bem pessoais - é óbvio que falo deste caso porque o sinto no meu dia-a-dia - mas gémeas de outras minhas contemporâneas é a realidade que nos ocupa os olhos, uma mistura de violência clássica e de delírio redentor que nos pede sempre moderação, comedimento e sobriedade.

A indumentária jamais será eco do brilhante segredo interior, onde libertamos todas as esperas desesperadas, jamais será o que irradia do núcleo interior do desejo, por exemplo. A indumentária é apenas glosa metafórica da, por vezes, penosa situação moral, intelectual e representa, quase sempre, o ressoar e o resumo das plurais misérias da nossa época. Apenas exijo que não nos deixemos ofuscar por alguns símbolos e reacções autómatas que parecem ainda suster uma pesada herança que a nossas viscerais imobilidade e inércia ajudam a alimentar.

No fundo, enquanto não despirmos a retórica da indumentária, continuaremos muito longe da pura afirmação.

Orgulhosos.

Só há uma coisa que ainda não compreendi - quem já fez, por favor, perdoe a minha menos clara destreza - na comunidade homossexual portuguesa. O que é aquilo do "orgulho gay"? É eu não tenho orgulho algum em ser heterossexual. Orgulho, orgulho tenho em ser do Sporting. E presumo que não seja a isso que se refere a dita máxima.

Honestamente, parece-me inacreditável que o Estado não ainda garanta os mesmos direitos a todos os cidadãos e é neste contexto que me solidarizo com as pessoas e associações que se manifestam contra todas as formas de segregação e discriminação. Contudo, não posso deixar de notar que as lutas pelos direitos dos homossexuais têm vindo a concentrar os seus esforços apenas na expressão deixando cair em depauperação o conteúdo. O slogan a que me refiro é disso exemplo.

Acredito que o mesmo tenha sido idealizado na vivência de uma realidade imediatamente desesperante e historicamente repudiada. Acredito também que tenha sido suscitado pelo desespero humano - sim, porque há certamente muita gente desesperada no meio desta injustiça - por objectivos próximos e outros longínquos, por condições que têm a sua raiz no mesmo mundo que os defronta, e, acima de tudo, pela experiência de um obstáculo, cuja natureza tem contornos obscuros e se encontram RELIGIOSAMENTE alicerçados numa maquiavélica concepção do mundo. Contudo, não posso deixar de referir que o slogan é infeliz e limita-se a retratar o universo ao abrigo do qual existem as coisas mais radicalmente aptas para exprimir a total ausência de significação.

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